terça-feira, 3 de setembro de 2013

Royalties sobre a água.


                                                                                                                     
Os métodos de irrigação da grande produção agrícola, caracterizados por aqueles pivôs que projetam a água e propiciam belas fotografias, são os maiores responsáveis pelo desperdício de água. E não a torneira aberta enquanto se escova os dentes.
Saiba como o Brasil se torna cada vez mais um exportador de água. De graça.

 blog do professor paulo márcio
economia&arte
                                                                                                                                                                      
Quarta-feira, 20 de março de 2013
coluna EMPRESA-CIDADÃ
por Paulo Márcio de Mello*

Sempre que se fala na importância da água, como nesta semana em que se comemora o Dia Mundial da Água. Alguém aponta o dedo na sua direção e tenta fazer com que você se sinta culpado pelo uso deste recurso. Seja por que você demora muito no banho, ou não fecha a torneira enquanto lava a louça, ou enquanto faz a barba, ou não conserta a torneira que fica pingando, etc.
 
O que não se diz é que este tipo de uso da água, o uso doméstico, representa tão somente 1% a 2% do total. Claro que é correto poupar recurso tão precioso, mas se todos reduzissem o banho à metade do tempo, fechassem sempre a torneira na hora de lavar a louça, de fazer a barba e corrigissem de uma vez o pinga-pinga da torneira, o ganho que se obteria com isso não seria maior do que 0,5% do consumo total. Cada um estaria fazendo a sua parte. O mais importante, entretanto, é fazer o que tem de ser feito.
 
Em que atividades se desperdiça de verdade a água? Os outros tipos importantes do seu uso são o realizado pelas empresas industriais e de outros setores (29%) e, principalmente, o uso realizado no campo, nas grandes propriedades agropecuárias (quase 70%). São os métodos de irrigação da grande produção agrícola, caracterizados por aqueles pivôs que projetam a água e propiciam belas fotografias, os maiores responsáveis pelo desperdício de água. E não tem que ser assim.
 
 Há alternativas de canaletas, gotejamento e outras que são poupadoras de água, sem comprometer a produtividade da produção agrícola. Em novembro do ano passado, o governo federal lançou um importante programa de incentivo à produção agrícola, chamado Mais Irrigação, com muitos recursos e nem uma palavra para estimular a substituição dos métodos que desperdiçam, por outros, mais poupadores. A produção de produtos primários, com métodos abusivos de desperdício água, é responsável por algumas das mais importantes “commodities” que sustentam as exportações brasileiras.
 
Quarto maior produto em importância na pauta de exportações de produtos básicos do Brasil em 2012, responsável por uma receita da ordem de US$ 6,7 bilhões de dólares, a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada, incluindo miúdos, representou 2,78% da receita de exportação brasileira. Para produzir este item, foram utlizados 13,9 bilhões de litros de água no ano passado.
 
 Cada quilo de carne de frango exportada alcançou o valor médio de US$ 1,89 no mercado internacional, em 2012. Se a água fosse valorizada da mesma forma, caberia uma indenização por seu uso da ordem de US$ 1,7 milhão, somente para o item carne de frango. Como, no entanto, o produtor externaliza o custo da exaustão da água, isto é, transfere a sua responsabilidade para a sociedade, a indenização devida é “pendurada”, mas como é acumulada ano a ano, acabará sendo paga, quando a escassez apresentar a conta da redução no estoque de água virtual.
 
Mais um exemplo pode ser apresentado com outro item importante da pauta de exportações do país, o oitavo entre os produtos básicos, a carne de bovinos congelada, fresca ou refrigerada. O item gerou quase US$ 4,5 bilhões de dólares de receita de exportação, em 2012, ou 1,85% da receita total da balança comercial. Para se chegar à esta produção, foram necessários cerca de 14,7 bilhões de litros de água, quase 15% mais do que foi utilizado em 2011.
 
Cada quilo de carne de bovino congelada, fresca ou refrigerada alcançou o valor médio de US 4,7. Da mesma forma, se a água necessária para se obter esta produção fosse valorizada, caberia uma indenização mínima de US$ 287 mil, correspondente a este item exportado.
 
Outro exemplo pode ser apresentado com um item da pauta de exportações de produtos semimanufaturados de ferro ou aços, responsável por uma receita de exportação de aproximados US$ 3,8 bilhões. Trata-se de um item responsável por 1,58% do total da receita da balança comercial. Esta produção foi obtida com o emprego de 4,0 trilhões de litros de água. Cada quilo do produto foi vendido ao preço médio de US$ 0,58. Se a água empregada na produção exportada desta “commodity” fosse também valorizada, a indenização devida alcançaria pelo menos US$ 6,4 milhões.
 
Somente na produção destes três itens, que somados representam 6,21% da receita da balança comercial, deixam de ser indenizados US$ 8,4 milhões, em royalties devidos pelo uso da água. O custo ambiental, externalizado pelos exportadores, não se sabe exatamente quando será pago. Mas é certo que será pago, pelas próximas gerações ou, quem sabe, por esta.
 
Há uma perigosa ironia no uso da água como se não fosse um recurso escasso. Está presente na velha sentença do pequeno comerciante do subúrbio, “fiado só amanhã”.
 
*paulo márcio de mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
 
A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas, editais ou agendas sobre práticas
de responsabilidade social, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.
 
 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013


Grande demais... (II)                                                                                                                                                 
 

    Por que há uma distância tão grande

entre o discurso e a prática da ética pelas grandes corporações?

A empresa predadora é índole inscrita no seu DNA?

Já passou da hora de se investir em outro paradigma corporativo,

como fazem o Comitê 20/20, as “B Corps” ou “FP Corps”.

 

blog do professor paulo márcio

 economia&arte

  

Quarta-feira, 28 de agosto de 2013
coluna EMPRESA-CIDADÃ

Paulo Márcio de Mello*
 
      A quem as grandes corporações são fiéis? Para elas, o cliente sempre tem razão? Ou, os colaboradores representam mesmo o seu maior patrimônio? Ou ainda, as futuras gerações são consideradas na tomada de decisões que impactam o ambiente?
 
      No caso da investigada formação do cartel dos sistemas metroferroviários de São Paulo e Brasília, além da Siemens, contemplada com o acordo de leniência firmado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça, outros gigantes corporativos transnacionais aparecem na trama, casos da Alstom, da Bombardier e da CAF.
 
      A Alstom, nascida francesa, em 1928, é uma das participantes dos oligopólios mundiais de infraestrutura de transporte ferroviário e de geração e transmissão de energia. Faturou €20,3 bilhões (de euros) no último exercício, com operações em cem países, nos quais ocupa um exército de 90 mil empregados.
 
      Está envolvida em um conjunto de denúncias feitas por órgãos internacionais de imprensa, entre eles o Wall Street Journal e o Der Spiegel, de pagamento de propina da ordem de US$ 6,8 milhões, para obter contratos de US$45 milhões, do metrô de São Paulo.
 
      Em sua página (www.alstom.com), afirma como seus valores a confiança (responsabilidade, delegação de autoridade, crença na importância de cada empregado e transparência), trabalho em equipe e ação para exceder a expectativa do cliente.
 
      Como “princípios básicos”, o seu “Código de Ética” apresenta “Respeitar leis e regulamentações” (Não envolver o Grupo em práticas ilegais) e “Aplicar os princípios de honestidade e justiça” (Nenhum objetivo justifica o descumprimento das regras).  Propõe também três “regras fundamentais”: “Respeitar as regras da concorrência”, “Sempre recuse a corrupção em transações comerciais” e “Cada funcionário tem um papel a exercer no controle interno”.
 
      Outra corporação investigada por suposta participação na formação do cartel dos sistemas metroferroviários de São Paulo e Brasília é a canadense Bombardier. Apresenta-se (www.bombardier.com) como a única fabricante de trens e aviões do mundo, entre eles, o famoso Learjet. No último exercício, o grupo faturou US$16,8 bilhões e empregou diretamente 71.700 pessoas, em sessenta países.
 
      Listada no Dow Jones Sustainability Index, a Bombardier apresenta, em seu Código de ética e conduta empresarial, como “valores essenciais”, a integridade (“Comportamo-nos com integridade e de forma ética em tudo o que fazemos e afirmamos...”), o compromisso com a excelência (“O nosso compromisso é demonstrar a excelência em todas as esferas do nosso trabalho...”), a orientação para o cliente (“Promovemos uma cultura centrada no cliente...”) e o enfoque no acionista (“Concentramo-nos em criar um valor accionista sustentado...”).
 
      A espanhola Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), outra integrante do oligopólio internacional de transporte ferroviário, é mais uma das corporações investigadas por suposta participação na formação do cartel dos sistemas metroferroviários de São Paulo e Brasília. A CAF oferece um cardápio vertizalizado de peodutos, que vão de estudos de viabilidade à operação de sistemas ferroviários, passando pela fabricação de equipamentos, obras civis, eletrificação, sinalização e manutenção. No último exercício, a CAF apresentou um fluxo de caixa de €139,9 milhões.
 
      Em sua página (www.caf.es), a CAF também manifesta preocupações altruístas, como no caso do ambiente, “nosso grande valor”. Considera este um fator chave de sua estratégia empresarial e afirma o compromisso de colaborar para um mundo sustentável. Meios de transporte mais eficientes e respeitosos com a vizinhança são a sua anunciada contribuição.
 
      A prevalência da remuneração dos acionistas está retratada, desde o caso exemplar da queixa dos acionistas John e Horace Dodge, em 1919, contra Henry Ford na justiça do estado do Michigan. A acusação foi por ter reinvestido o resultado da empresa na capacidade instalada, na melhoria de salários e no fundo de reserva, ao invés de distribuí-lo aos acionistas. A Suprema Corte deu ganho de causa a Ford, com o entendimento de que a decisão beneficiaria os acionistas futuramente.
 
      As intenções meritórias das corporações em relação a outros grupos de interesse, como os empregados, os clientes, as próximas gerações, ou o ambiente, seguem o determinante objetivo de um paradigma de organização, desatualizado frente a necessidades e valores contemporâneos, mas hegemônico, vocacionado para crescer, crescer, crescer e lucrar.
 
Paulo Márcio de Mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
 

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à responsabilidade social, à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Grande demais... (I)
                                                                                                                                                                           Grande demais para quebrar.
  Assim se falou de algumas corporações que,
pelo gigantismo a que chegaram,
são consideradas "vigas" do capitalismo.
Mesmo que sejam ineficientes,
incapazes de sobreviver sem as compras públicas.
Mesmo que sejam corruptoras...

 
Quarta-feira, 21 de agosto de 2013
coluna EMPRESA-CIDADÃ
Paulo Márcio de Mello*
 
blog do professor paulo márcio
 
economia&arte

 
      Banco Santander, desde abril de 2013; Banco do Brasil, Celesc, Dudalina e EDP Energias do Brasil, desde outubro de 2012; Caixa Econômica Federal e 3M do Brasil, desde maio de 2012; AES Eletropaulo, AES Tietê e Infraero, desde dezembro de 2011; AES Sul, Johnson Controls Building Efficiency e, a decana, Siemens do Brasil, desde agosto de 2011, integram o Cadastro Nacional de Empresas Comprometidas com a Ética e a Integridade (Cadastro Pró-Ética).
 
      O Cadastro Pró-Ética foi criado em 9 de dezembro de 2010 pela Controladoria Geral da União e “visa difundir as políticas e ações reconhecidamente desejadas pelas empresas para se criar um ambiente de integridade e aumente a confiança nas relações entre o setor público e o setor privado”. 

      Em sua página (www.cgu.gov.br/empresaproetica/), a CGU pergunta, e ela mesma responde, o que seria uma empresa íntegra como “aquela que incentiva e promove boas práticas corporativas internamente e externaliza estas práticas a seus parceiros – clientes, fornecedores, etc – disseminando seus valores e formando uma rede que adota uma conduta responsável e atua para construção de uma sociedade comprometida com valores éticos”.

      Diz mais, que “Uma empresa íntegra deve comprometer-se a divulgar sua legislação anticorrupção para seus funcionários e colaboradores, a fim de que sejam cumpridas integralmente”.

      A Siemens, decana do Cadastro Pró-Ética da CGU, frequenta outros cadastros menos meritórios. Firmou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça, com atribuições de zelar pelas boas práticas de mercado, por participar de um suposto cartel que ajustaria de maneira fraudulenta condições de participação de um conjunto de até 18 empresas, em licitações para a construção e fornecimento de equipamentos do metro de São Paulo e do Distrito Federal.

      O acordo é uma permuta. Troca o impedimento de denúncia dos executivos da empresa, na esfera criminal, pela delação de aspectos do cartel. Desde 1867 no Brasil, a Siemens, com cerca de 9.300 empregados (370 mil mundo a fora) e faturamento de R$ 4,8 bilhões, poderá ser declarada inidônea e impedida de participar de novas licitações.

►        Isto, se nos diferentes campos em que atua, houver substitutos. Ela é responsável pela geração e transmissão de 50% da energia elétrica consumida no Brasil, por mais de 30% dos diagnósticos por imagem realizados por equipamentos hospitalares e participou de duas em cada três plataformas de petróleo projetadas nos últimos dez anos. Grande demais para ser impedida? O mercado tem um jeito próprio de interpretar a ética...

      Só em São Paulo, entre 2000 e 2007, os possíveis danos causados aos cofres públicos pelo suposto cartel podem ultrapassar R$ 550 milhões, conforme o Histórico de Conduta elaborado pela Superintendência-Geral do Cade.

      As práticas investigadas são de “definição prévia sobre quais seriam as empresas participantes e vencedoras das licitações, divisão de processos licitatórios entre os concorrentes, apresentação das propostas de cobertura, combinação de valores a serem apresentados por cada concorrente nas licitações, e negociações sobre a desistência de impugnação à decisão do cliente sobre a pré-qualificação da empresa/consórcio na licitação em troca de subcontratação para prestar parte do escopo”.

      Em seu relatório, publicado em março deste ano, a Siemens declara-se “responsável, inovadora e excelente, comprometida com ações éticas e responsáveis, atingindo a alta performance e resultados excelentes, sendo inovadora para criar valor sustentável”.

      Em nota oficial, divulgada no dia 9 de agosto passado, a empresa comunica que, em 2007, instituiu um sistema de compliance para “detectar, remediar e prevenir práticas ilícitas que porventura tenham sido executadas, estimuladas ou toleradas por colaboradores ou chefias em qualquer lugar do mundo” e que este é um “compromisso inegociável”.

      No seu depoimento em “A Corporação” (Oscar de melhor documentário de 2010), Robert Monks afirma que “a corporação só tem obrigação consigo mesma, para crescer e ser mais lucrativa”.

      Afinal, a quem presta contas uma empresa desta era?

Paulo Márcio de Mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à responsabilidade social, à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013



Mobilização pela Vida
é uma homenagem à presença de Betinho,
16 anos após a sua morte.
 
 Quarta-feira, 7 de agosto de 2013
coluna EMPRESA-CIDADÃ
Paulo Márcio de Mello
 
 ► “Uma economia só presta, só faz sentido, só vale a pena se existir para alimentar, educar e empregar as pessoas. As teorias só prestam se servirem para resolver esses problemas. E todas as empresas, públicas ou privadas, grandes ou pequenas, só fazem sentido, só valem a pena se contribuírem para construir um país onde todos possam ter o atendimento de suas necessidades fundamentais”. Assim falou Herbert de Souza, o Betinho, em 9 de agosto de 2000, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, conforme depoimento de André Spitz.
 
Nascido em 3 de novembro de 1935, Betinho dedicou-se à promoção dos direitos humanos, tendo sido o criador da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida e fundador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, além de autor de diversos livros. Sua trajetória e dos irmãos Henfil e Chico Mário foi retratada no filme Três Irmãos de Sangue, de Ângela Patrícia Reiniger.
 
► A data de sua morte, 9 de agosto (1997), é o Dia Nacional de Mobilização pela Vida. De acordo com a carta aberta, lançada em 2000, dirigida aos presidentes do Senado e da Câmara e aos parlamentares do Congresso Nacional, este deve ser o dia dedicado à lembrança dos compromissos expressos no art. 3º da Constituição Federal, de construir uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
 
► Este dia deveria ser dedicado também à publicação, pelos governos municipais, estaduais e federal, pelos presidentes do Congresso Nacional e dos legislativos estaduais e municipais, de uma avaliação criteriosa das iniciativas voltadas para o combate à fome e à miséria no ano anterior, com metas para o ano seguinte, que possam ser monitoradas pelos meios de comunicação de massa, através de indicadores de promoção dos direitos humanos. Esta intenção tornou-se ainda mais oportuna, após a grande mobilização popular, demarrada após junho passado.
 
As entidades que avalizam a iniciativa são a Rede Nacional de Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria pela Vida, o EMBRIÃO, o Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional, a CNBB, o CONIC, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz, o Ibase, o COEP, a ÁGORA, a SPTA, o INESC, o INEDI, o ANDI, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e o Ilumina.
 
► Outro passo para instituir o Dia Nacional de Mobilização pela Vida foi dado em outubro de 2001, com a apresentação do projeto de lei federal no 5471. Não menos importante foi a criação do Prêmio Betinho – Atitude Cidadã, lançado, em 2008, pelo COEP, com o objetivo de dar visibilidade às iniciativas sociais desenvolvidas nas diferentes regiões geográficas do país e ao trabalho de pessoas que se dedicam à promoção da cidadania. Em 2013, o Prêmio Betinho – Atitude Cidadã tem como foco os catadores e catadoras de materiais recicláveis e reutilizáveis.
 
► Ano passado, pela região Sul, foi premiado Venildo Bolfe. Há 20 anos, ele iniciou suas atividades arrecadando alimentos entre seus colegas de trabalho para serem doados. Colaborou para a criação da Associação Flávia Cristina, que atende crianças com deficiência física ou mental, atuou na Casa de Apoio do Instituto de Câncer de Londrina e na Padaria Comunitária que atende mais de 350 famílias. Criou uma creche que atende 125 crianças e implantou o projeto Comunidade Feliz, que oferece cursos de capacitação e alfabetização para jovens e adultos, e estimula o plantio de árvores. Além disso, construiu 64 casas para famílias de baixa renda e arrecadou remédios e cadeiras de rodas para doar às comunidades.
 
Com ações igualmente solidárias, foram reconhecidos Edna Francisca Melgaço Silva, de Minas Gerais, Edson Augusto Rios, do Mato Grosso do Sul, Aline Amaral Correa de Miranda, do Pará e Dulcineide da Silva Souza, do Piaui.
 
“Eu nasci para o desastre, porém com sorte”, dizia Betinho frequentemente. Sorte que teve quem conviveu com ele.
 
Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
 
A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda conceitos relativos
à responsabilidade social, à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pode ser melhor. Ou pior...
                                                                                                                                                                          Quarta-feira, 31 de julho de 2013
coluna EMPRESA-CIDADÃ
Paulo Márcio de Mello*
 
        O Brasil aparece no 69º lugar na divulgação mais recente do Índice de Percepção da Corrupção. Desde 1995, o ranking é divulgado anualmente pela ONG Transparência Internacional, que atribui notas, em uma escala de 0 (maior corrupção) a 100 (menor corrupção) a 176 países. A nota do Brasil, em 2012, foi 43, a mesma alcançada pela África do Sul e Macedônia.
 
        Segundo a Transparência Internacional, trata-se de um indicador de percepção subjetiva da corrupção, porque corrupção não deixa evidências empíricas para serem apuradas. A nota obtida pelo Brasil foi 3,3 (70º lugar), em 2006; 3,5 (72º lugar), em 2007; 3,5 (80º lugar), em 2008; 3,7 (75º lugar), em 2009; 3,7 (69º lugar), em 2010; e 3,8 (73º lugar), em 2011.
 
        Dos 176 países avaliados, 53 obtiveram nota superior a 50. A nota média  entre os ranqueados é de 43,3 pontos. Na Europa, a pior nota é da Ucrânia (144ª posição na lista), com 26 pontos. A pior colocação na África é da Somália (174ª posição), com nota 8, mesma nota e colocação dos piores na Ásia, Afeganistão e Coréia do Norte.  Na Oceania, Papua Nova Guiné (150ª posição) segura a lanterna, com nota 25, enquanto nas Américas, Haiti e Venezuela, ambos com 19 pontos, ocupam as piores posições.
 
        Em seus respectivos continentes, lideram nas melhores posições o Canadá, com 84 pontos (na 9ª colocação geral), Botsuana, com nota 65 (30ª colocação), Cingapura, com nota 87 (5ª colocação entre os 176 países), e Nova Zelândia, que com 90 pontos, atingiu o 1º lugar geral.
 
        Na América do Sul, com resultados acima do Brasil estão Chile e Uruguai, ambos com 72 pontos e empatados na 20ª posição geral. Abaixo do Brasil estão o Peru, com nota 38 e na 83ª posição entre os 176 países; o Suriname, com 37 pontos (na 88ª colocação); Colômbia, com 36 pontos (94ª); Argentina, com nota 35 (102ª); Bolívia, com 34 pontos (105ª); Equador, com 32 pontos (118ª); Guiana, com 28 pontos (133ª); Paraguai, com 25 pontos (150ª) e Venezuela (165ª).
 
        Entre os BRICS, em 2012, a China obteve nota 39 (80ª posição geral), a Índia alcançou 36 pontos (94ª colocação) e a Rússia chegou a 28 pontos (133ª colocação). Portanto, Brasil e África do Sul são os mais bem posicionados entre os emergentes.
 
        Dias antes de divulgar o índice, a Transparência Internacional publicou matéria sobre o Brasil, destacando fatos como o julgamento do mensalão, a Lei da Ficha Limpa e a Lei de Acesso à Informação, como evidências de que a luta contra a corrupção ocupa espaço mais importante na pauta do país. Contida no otimismo, ressalvou as dificuldades em debelar a corrupção.
 
        Em 2008, a empresa Siemens AG, da Alemanha começou a ser investigada pela Justiça de Munique, por pagar propina a autoridades brasileiras. Tanto a filial brasileira da empresa, a Siemens Ltda, como a matriz do grupo, a Siemens AG, da Alemanha, firmaram acordo de delação nas investigações e assim ficaram isentas de possíveis punições pela participação em um cartel para fraudar licitações.
 
        Executivos do grupo teriam participado de ajustes com executivos de outras corporações, para combinar condições de participação em licitações de compra e reforma de vagões para a CPTM, de São Paulo. As denúncias são recorrentes e envolvem nomes de conhecidas empresas no possível cartel, como a Alstom, a Temoinsa, a Bombardier, a CAF e a Mitsui, além da própria Siemens.
 
        Se há um algo de podre, não é no Reino da Dinamarca, que, junto a Finlândia e Nova Zelândia, ocupa a melhor posição no ranking da percepção da corrupção da Transparência Internacional.
 
Paulo Márcio de Mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
toda quarta-feira, no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas ou agenda relativas a responsabilidade social, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Espionagem condenada  
 
 
 
coluna EMPRESA-CIDADÃ
   quarta-feira, 24 de julho de 2013
Paulo Márcio de Mello*
 
      Na última quarta-feira, a Justiça italiana condenou o empresário Marco Tronchetti Provera, presidente da holding Pirelli, antiga controladora da operadora de telefonia Telecom Italia. Segundo o site Consultor Jurídico (www.conjur.com.br), o jornal italiano Corriere Della Sera noticiou a condenação de um ano e oito meses de prisão, pelo crime de receptação de dados.
 
      A pena se soma à condenação do pagamento de 900 mil euros aos acionistas da Telecom Italia, por danos materiais. O empresário Provera foi responsabilizado por crimes cometidos por funcionários da Telecom Italia em um plano de espionagem para vigiar concorrentes em vários paises, inclusive no Brasil.
 
      Em fevereiro de 2013, um tribunal de Milão condenou sete arapongas a serviço da Telecom Italia, para espionar atividades da Brasil Telecom e seu gestor na época, o banqueiro Daniel Dantas, que disputava com a Telecom Italia o controle da operadora brasileira. No Brasil, as atividades da Kroll, empresa privada de investigações, resultaram na Operação Chacal, realizada pela Polícia Pederal e pelo Ministério Público Federal, por investigar autoridades públicas.
 
      A Justiça italiana investiga o destino de 120 milhões de euros do orçamento da Telecom Italia, aplicados em operações ilegais em vários países. O Ministério Público em Milão denunciou o envio de 10 milhões de euros para o Brasil, com o propósito de apear Dantas e seu banco do controle da Brasil Telecom. A, empresa tinha como acionistas, além do Opportunity, a própria Telecom Italia, o Citibank e fundos de pensão brasileiros. De acordo com o MP italiano, o dinheiro teria sido empregado para subornar autoridades e empresários brasileiros.
 
      A Kroll foi contratada por Dantas para acompanhar as atividades da companhia italiana. A contratação foi objeto da investigação da Polícia Federal., que acusou Dantas de espionar a companhia italiana e autoridades do brasileiras.
 
      Na Itália, foi a Telecom Italia que recebeu a acusação de desvio de dinheiro para espionar o banqueiro brasileiro. A decisão da Justiça italiana responsabiliza o empresário Provera de receptação de informações sigilosas, obtidas ilegalmente pelos espiões condenados em fevereiro por formação de quadrilha, invasão de sistema de informática e divulgação de informações sigilosas relacionadas a segredos de Estado.
 
      Segundo a Justiça italiana, a Telecom Italia espionou o controlador de uma empresa que acabara de ser privatizada e teve acesso privilegiado a detalhes do negócio. Em nota à imprensa, o empresário Provera informa que recorrerá da sentença e que as acusações, bem como a decisão, se basearam em fatos sem provas, porque "provas não foram levantadas". "Hoje, não fui somente condenado, também estão pedindo que ressarça uma companhia que protegi, a Telecom Itália, junto aos que se demonstraram os mandantes das ações contra nós", declarou.
 
      Como se não bastassem os estouros sucessivos dos pneus, que têm alterado resultados da atual edição do circo da Fórmula 1, a Pirelli agora tem que encarar mais essa...
 
Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
toda quarta-feira, no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas ou agenda, relativos à responsabilidade social,
sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Parceria para a sustentabilidade
 
                                                                                       
coluna EMPRESA-CIDADÃ
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Paulo Márcio de Mello*
 
      As empresas avançam em medidas relacionadas à sustentabilidade. A Coca-Cola Company e o World Wildlife Fund (WWF) anunciaram novas metas, consolidando a parceria firmada em 2007, com vistas à gestão de sustentabilidade desta corporação. As metas estão direcionadas para o uso da água, energia, embalagens e para fontes sustentáveis de ingredientes agrícolas, até 2020.
 
      O anúncio reitera a incorporação da dimensão ambiental na gestão estratégica da empresa, destacado pelo presidente da Coca-Cola Company, Muhtar Kent, ao afirmar que “na Coca-Cola, estamos profundamente comprometidos a trabalhar com parceiros para resolver nossos desafios ambientais coletivos e para gerir responsavelmente os recursos do planeta.” Acrescentou que “enfrentamos um mundo com recursos limitados e crescentes exigências na demanda global de alimentos e água, portanto, devemos procurar soluções que impulsionem o benefício mútuo para os negócios, comunidades e natureza. Trabalhar com o WWF continuará desafiando a nossa empresa para avançar com os nossos programas de sustentabilidade, e a expertise do WWF será fundamental para atingir nossos objetivos de desempenho ambiental, alguns dos quais a organização nos ajudou a estabelecer.”
 
      O presidente do WWF, Carter Roberts, "continuar com os negócios como de costume coloca tudo em risco, incluindo a viabilidade dos próprios negócios. Esses problemas só podem ser resolvidos trabalhando juntos, e nosso trabalho com a Coca-Cola provou que a colaboração pode ampliar e acelerar o impacto que precisamos”.
 
      A Coca-Cola e o WWF desenvolveram novas metas ambientais de sustentabilidade para a corporação e os seus cerca de 300 parceiros engarrafadores, em mais de 200 países. As metas referem-se a melhorar a eficiência da água em 25%, complementando a melhoria de 21,4% na eficiência do uso da água, alcançada de 2004 até 2012.
 
      Referem-se também a manutenção de sistemas de água doce saudáveis e resistentes, em 11 regiões-chave, incluindo as bacias do Amazonas, Koshi, Mekong, Rio Grande/Bravo, Yangtzé e Zambeze; a captação da Grande Barreira de Corais e Recife Mesoamericano e regiões relevantes em Amur-Heilong e na Mata Atlântica.
 
      Referem-se ainda à redução das emissões de CO2 da bebida em 25%. A empresa pretende reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa de sua cadeia de valor, fazendo reduções importantes da pegada de carbono em seus processos de fabricação, formatos de embalagens, frota de entrega, equipamento de refrigeração e abastecimento de ingredientes.
 
      Outras metas anunciadas são as de abastecer responsavelmente o material para a embalagem PlantBottle™, trabalhando para avaliar o desempenho ambiental e social dos materiais à base de plantas para seu uso potencial em embalagens renováveis. Isso poderá contribuir para que a empresa cumpra a meta de utilizar até 30% de material à base de plantas em todas suas garrafas de plástico PET até 2020.
 
      Abastecer de maneira sustentável os ingredientes agrícolas chave, abastecendo de forma sustentável seus ingredientes, incluindo cana-de-açúcar, beterraba, milho, chá, café, azeite de palmeira, soja, fibra de celulose e papel e laranjas. A empresa também estabeleceu diretrizes para agricultura sustentável.
 
      Repor 100% da água usada, retornando a água tratada de seus processos de fabricação para o meio ambiente com qualidade para suportar a vida aquática, mantendo projetos de água comunitária com parceiros em mais de 100 países. Estima-se que o trabalho de reabastecimento totaliza 52% do volume de produto, através de 468 projetos.
 
      Alcançar a taxa de recuperação de 75% das garrafas e latas em mercados desenvolvidos, atuando com a indústria de bebidas e organizações locais para aumentar a recuperação e a reciclagem nos mercados em desenvolvimento. A empresa continuará reduzindo a quantidade de materiais e energia utilizados na embalagem e continuará usando conteúdo reciclado e renovável.
 
      A parceria entre a Coca-Cola e o WWF permitiu incrementar a eficiência de água da empresa em mais de 20%, evitar a emissão de 5 milhões de toneladas métricas de CO2 nas operações fabris globais e promover a agricultura mais sustentável na cadeia de suprimentos.
 
      A empresa posiciona-se assim para enfrentar desafios como o das restrições prováveis ao seu principal ponto de vendas, as lojas de fast-food, e investe em alternativas percebidas como mais saudáveis.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

 

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
toda quarta-feira, no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos à responsabilidade social,
casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas ou agenda.