quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Parceria que alimenta
                                                             
Toneladas de  alimentos deixaram de ir para o lixo
e transformaram-se em refeições para crianças, jovens e adultos
em situação de risco social, conquência da parceria
entre o Banco de Alimentos e uma rede de refeições rápidas.

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economia&arte

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Paulo Márcio de Mello*


     A parceria entre o Banco de Alimentos, organização pioneira em colheita urbana, bateu novo recorde em 2014. O Banco de Alimentos, no propósito de combater a fome e o desperdício, conta com a parceria da rede brasileira de fast-food Habib´s. Foram arrecadados mais de 41.000 quilos de alimentos por mês, dos quais cerca de 23 mil quilos foram doados pelo Habib’s.

     Mais de 41 toneladas de alimentos deixaram de ir para o lixo e transformaram-se em refeições para crianças, jovens e adultos em situação de risco social. A parceria prevê a doação do excedente de produção do Habib´s. O Banco realiza a retirada dos alimentos - que consistem em hortifrútis (de terça-feira a sábado), no centro de distribuição da rede, localizado na cidade de Itapevi (SP).

   Os alimentos doados pela rede estão sendo utilizados na complementação alimentar de mais de 21 mil pessoas, que são assistidas pelas 43 instituições cadastradas pelo Banco de Alimentos. Segundo a economista Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos, "muitas pessoas têm a noção equivocada de que existe uma lei que proíbe as pessoas físicas e jurídicas de doarem alimentos. O que ocorre, na verdade, é que não existe uma lei que proteja o doador de uma possível ação civil ou criminal, caso haja uma queixa de intoxicação. Este fato faz com que a maioria dos possíveis doadores opte por jogar fora ou incinerar os alimentos, em vez de doá-los".

    A economista acrescenta que este fato pode explicar o fenômeno da “não doação” de alimentos, mas não justificá-lo. "Nós, do Banco de Alimentos, tomamos a responsabilidade da doação perante o doador e nos garantimos com os receptores de alimentos, que inspecionam todo o lote doado e atestam, por escrito, que o que estão recebendo está em condições perfeitas para o consumo. Com esse procedimento demonstramos que este tipo de atuação é possível e faz grande sentido."

      O Banco de Alimentos atua tratando o problema da fome na origem, a educação e o comprometimento de cada brasileiro para solução da questão. Hoje, o Brasil produz, aproximadamente, 26% a mais do que o necessário para alimentar a população. Na prática, produz muito além do que precisa e desperdiça quase 60% da produção. Em contrapartida, existem milhares de pessoas em situação de insegurança alimentar, ocasião em que o alimento está disponível, porém não em quantidade e qualidade suficiente para manutenção da saúde.

      Além disso, o país desperdiça recursos naturais para produzir todo esse alimento. Em média, o Brasil desperdiça 39 milhões de quilos de alimentos, quantia que daria para alimentar cerca de 19 milhões de pessoas diariamente com café da manhã, almoço e jantar.

      O desperdício tem um custo alto para o país, de R$12 bilhões. Segundo Luciana Chinaglia Quintão, o desperdício de alimentos está presente em toda a cadeia. "O desperdício está em 20% no plantio e na colheita; 8% no transporte e armazenamento; 15% na indústria; 1% no varejo; e 17% no consumidor", afirma a economista.

      Fundado em 1998, a partir da iniciativa da sua criadora, o Banco de Alimentos é uma associação civil que atua com o objetivo de minimizar os efeitos da fome e combater o desperdício de alimentos, permitindo que um maior número de pessoas tenha acesso a alimentos básicos e de qualidade e em quantidade suficiente para uma alimentação saudável e equilibrada.

     Os alimentos distribuídos são excedentes de comercializações, perfeitos para o consumo. A distribuição possibilita a complementação alimentar a todas as pessoas assistidas pelas instituições cadastradas no projeto, ou seja, mais de 21 mil pessoas. Desde janeiro de 1999, até dezembro de 2013, o Banco de Alimentos arrecadou 5.286.935,91 quilos de alimentos, base para 49.772.953 refeições que beneficiaram mais de 21 mil pessoas (entre crianças, jovens, adultos e idosos) por dia, evitando um grande desperdício.

      Além disso, ministrou palestras em faculdades e empresas, orientou 53 projetos científicos, realizou 31 trabalhos de orientação nutricional em instituições e supervisionou mais de 100 estagiários de Nutrição, como também estagiários de Administração Pública e de Engenharia de Produção. “A organização civil criou empregos, gerou renda, economizou para o estado de São Paulo, nas três esferas de governo, diminuiu o lixo da cidade e ajudou a garantir a formação de milhares de crianças com o objetivo de se tornarem cidadãos economicamente ativos e incluídos na sociedade.”

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Gênios do erreagá
                                                             
A gestão empresarial tem seus notórios gênios criativos.
E tem aqueles que gostariam de se-lo.

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Coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Paulo Márcio de Mello*



A gestão empresarial tem seus notórios gênios criativos. E tem aqueles que gostariam de se-lo. No rastro da vontade desqualificada, há registros de assédio contra colaboradores que só na Justiça chegam a ser reparados.

É o caso da campanha motivacional realizada por uma rede de supermercados que, pelo constrangimento e humilhação provocados aos funcionários implicou no pagamento de indenização por danos morais. A decisão é da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), ao manter a condenação à rede de supermercados, no valor de R$ 25 mil.

De acordo com o processo (www.conjur.com.br/2015-jan-19/supermercado-paga-indenizacao-caixao-sala-descanso), a pretexto de estimular os funcionários, a loja colocava, na sala de repouso dos trabalhadores, um caixão de papelão em frente a um espelho com os seguintes dizeres: “faleceu ontem a pessoa que impedia o seu crescimento na empresa. Você está convidado para o velório na sala de descanço (sic)”. A empresa havia sido condenada pela 77ª Vara do Trabalho de São Paulo

Em seu recurso, a rede de supermercados alegou que, em 2009, passou a utilizar uma campanha motivacional com o intuito de simbolizar a necessidade de renovação profissional dos trabalhadores. Além disso, alegou que ser possível ter a real impressão de que a pessoa estivesse dentro de um caixão, sendo velada. A rede de supermercados sustentou, portanto, que a indenização por danos morais não é válida por não se tratar de algo prejudicial. 

 Na análise do recurso no TRT-2, a desembargadora Ivete Ribeiro, relatora, afirmou ter ficado claro que a atitude da empresa não condizia com qualquer tipo de campanha de incentivo. Segundo ela, a rede demonstrou um comportamento “abusivo e perverso” e falta de “inteligência e entendimento sobre o significado de um dos princípios constitucionais basilares da sociedade: dignidade da pessoa humana, que norteia toda a organização e disciplinamento da sociedade”.

O entendimento da relatora foi acompanhado pelo colegiado, para quem a conduta da empresa foi abusiva, desrespeitou a dignidade da pessoa humana, além de ter ultrapassado os poderes diretivos do empregador. “A criatividade ligada à crueldade demonstrada pela reclamada beira a indecência, a imoralidade”, diz a decisão.

Com informações da Assessoria de Imprensa do TRT, a forma de aumentar a auto estima dos empregados de uma empresa jamais passa por qualquer tipo de motivação cruel e nefasta, tal atitude somente tem o condão de gerar ofensa, menosprezo, constrangimento e humilhação para aqueles que colaboram no desenvolvimento da atividade econômica da instituição. Caracterização de dano moral por inobservância ao princípio da dignidade humana, previsto no inciso III, do artigo 1º da CF (...).

Em razão do princípio da continuidade da relação de emprego e da presunção que se estabelece de que o trabalhador é dispensado sem justa causa, a demissão por falta grave deve ser robustamente comprovada pela reclamada.

Neste sentido, tratando-se de fato impeditivo do direito da reclamante às verbas rescisórias, competia à empregadora a prova da dispensa motivada, nos termos do inciso II, do artigo 333 do CPC c/c o artigo 818 da CLT, ônus do qual não se desvencilhou a contento.

Da análise do processado verifica-se que a reclamada, ausente em audiência (fls.31/32), foi considerada revel e confessa quanto à matéria de fato, ensejando a presunção de veracidade das assertivas alegadas na prefacial, as quais, in casu, não foram elididas por outros elementos constantes do feito (...).

No caso em tela, a prova oral produzida em audiência (fls.31/32) pela primeira testemunha levada pela autora (única ouvida) confirmou o labor em sobrejornada ao consignar que: “a depoente trabalha das 09hs às 20hs de segunda feira a domingo; que a Reclamante trabalhava até as 17hs; que quando chegava a Reclamante já estava trabalhando...

Aduz a recorrente que, em meados de 2009, visando incentivar seus funcionários, foi lançada uma campanha motivacional que tinha como escopo demonstrar a necessidade dos trabalhadores se renovarem. Para tanto, foi utilizada uma caixa de papelão “simbolizando um caixão”, e um cartaz “onde se informava o falecimento da pessoa que impedia o crescimento profissional na empresa”. Menciona, ainda, que “não há como se falar que ao olhar para o mesmo e ver sua imagem refletida, a recorrida ou qualquer outra pessoa pudesse ter a real impressão de que estivesse dentro de um caixão, sendo velada. Pela foto acostada aos autos se observa o espelho do lado de fora da caixa”.

Alega que a condenação no pagamento de indenização por danos morais não pode prevalecer porque não se caracteriza como “algo prejudicial”, vez que “tal visão não encontra respaldo na realidade”.


Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade, à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.

O melhor negócio  do mundo (XV)
                                                             
Este é o início do 15º ano de publicação da coluna Empresa-Cidadã no centenário Monitor Mercantil. Ao longo de quatorze anos, conceitos e valores da responsabilidade socioambiental e outros que deles derivaram, pioneiros, voluntários e profissionais reúnem-se em torno de uma gama de realizações.

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Coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Paulo Márcio de Mello*



u      Pela décima quinta vez, utilizo o título “O melhor negócio do mundo” em uma edição da coluna Empresa-Cidadã. A coluna Empresa-Cidadã começou a ser publicada no jornal Monitor Mercantil em 14 de janeiro de 2001, reunindo, até hoje, quase 700 edições, com o propósito básico de estimular o senso crítico e as práticas da responsabilidade social e da sustentabilidade.

u      Ao longo de quatorze anos, conceitos e valores da responsabilidade socioambiental, e outros que deles derivaram, pioneiros, voluntários e profissionais reúnem-se em torno de uma gama de realizações em que o cotidiano superou a ficção.

u      Naquele ano, os onze mil quilômetros que separam Porto Alegre (RS) de Davos (Suíça) só não foram maiores do que é a distância entre países ricos e pobres, como mostrou o confronto de idéias e, sobretudo, de ideais estabelecido entre o Fórum Social Mundial de Porto Alegre e o Fórum Econômico Mundial de Davos, realizados simultaneamente, em janeiro de 2001. Em Genebra, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou um relatório de 87 medidas sugeridas para reduzir as disparidades entre as economias do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul.

u      Do relatório da ONU, concluiu-se que os investimentos estrangeiros diretos (IED) nos países mais pobres aumentaram, de US$ 178 bilhões em 1997, para US$ 190 bilhões, em 2000. Que os países doadores destinaram, em média, 0,24% do seu PIB para ajuda financeira aos países mais pobres em 1999, menos do que os 0,33% de 1992, e que apenas Dinamarca, Holanda, Noruega e Suíça atingiram o percentual já combinado de 0,7%.

u      Os países mais ricos precisam ser doadores para as suas economias não estiolarem, como aconteceu com a do Japão nos anos 90. Tanto assim que a principal medida proposta do relatório de Kofi Annan é a do fim das barreiras alfandegárias impostas a bens e serviços exportados pelas nações mais pobres. E não se referiu às barreiras técnicas ou fito-sanitárias, do tipo vaca louca Canadá-Bombardier contra a carne brasileira.

u      Armada até os dentes para se defender de um ataque dos santos guerreiros contra o dragão da maldade da globalização, como o que levou ao fracasso de Seattle, de 1999, Davos ocupou-se de discutir os efeitos da desaceleração da economia americana sobre a economia global, que pode custar até um ponto percentual do seu crescimento. Ainda estava sendo gestada a “crise da subprime”. Alternativamente, Porto Alegre discutiu os efeitos perversos da globalização da economia sobre o crescimento das economias mais pobres.

u      Frequentaram o Fórum Social Mundial algumas das personagens mais exóticas do palco da desobediência ao pensamento hegemônico do neoliberalismo. José Bové foi. O ativista francês aproveitou para invadir e destruir parte da plantação de soja transgênica da multinacional Monsanto. Resultado: mais notoriedade, detenção pela Polícia Federal até Bové assinar notificação com compromisso de deixar o país em 24 horas, a aplicação da Lei dos Estrangeiros, respaldada pela Advocacia Geral da União e concessão de mais 24 horas pela Justiça Federal de Porto Alegre.

u      Enquanto isso, no Rio de Janeiro, seguranças da loja Carrefour, grupo multinacional francês como Bové, mantiveram em cárcere privado duas mulheres acusadas de furtar bloqueadores solares e as teriam entregado à marginalidade do bairro Cidade de Deus, além de editarem a fita de vídeo do circuito interno de vigilância, posteriormente entregue à polícia. Os seguranças foram detidos mas nada se disse sobre a aplicação da Lei dos Estrangeiros, neste caso, versão Cidade de Deus da globalização. Diferente da de Porto Alegre.

u      Diferente do que parte do noticiário pode ter sugerido, sugestão reforçada pela diversidade das conclusões de mais de 400 oficinas, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre não foi um evento antiempresa. Bem ao contrário, o que deve ser percebido era a manifestação de que saúde e educação fortalecem mercados com maior capacidade de aquisição. Que meio-ambiente é o maior patrimônio a ser legado entre gerações. Que ética, democracia e solidariedade são valores que atraem investidores, fidelizam consumidores e entusiasmam colaboradores. Em Porto Alegre falou-se, portanto, da empresa na sua forma mais requintada - a empresa-cidadã.

u      Assim era aquele mundo, o de 2001.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O dia da impunidade
                                                             
12 de janeiro de 2015 poderá se  caracterizar como 
o Dia da Impunidade.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Paulo Márcio de Mello*


      O Código Penal brasileiro estabelece que a prescrição de um crime ocorre após decorrido o dobro do tempo da pena a ele aplicável. Às 15h 00min, de 12 de janeiro de 2007, Abigail Rossi, brasileira, aposentada, 75 anos; Cícero da Silva, brasileiro, auxiliar administrativo, 58 anos; Francisco Torres, brasileiro, motorista, 48 anos; Reinaldo Aparecido Leite, brasileiro, motorista, 40 anos; Wescley Adriano da Silva, brasileiro, 39 anos, cobrador; Valéria Alves Marmit, brasileira, advogada, 37 anos; e Márcio Alembert, brasileiro, funcionário público, 31 anos, foram engolidos por uma cratera que se abriu do nada, com 80 metros de diâmetro e 30 metros de profundidade, no canteiro de obras da estação Pinheiros, parte da linha 4 do metrô de São Paulo (SP).

      Seus corpos foram procurados durante 13 dias. Junto com eles, foram para o fundo da terra caminhões, materiais de construção e uma parte de uma rua vizinha, a rua Capri. Em outras ruas próximas, 66 casas tiveram as suas estruturas comprometidas. Foram acusados 14 possíveis responsáveis pela tragédia, mas nenhum chegou a ser julgado. Os crimes de que são acusados, começam a prescrever em 2015.

      As dificuldades de se caracterizar as responsabilidades começam pelo fato de que cada acusado pode apresentar até oito testemunhas em juízo, que devem ser ouvidas. A aritmética da impunidade é simples. Oito testemunhas de defesa, para cada um dos quatorze indiciados, significam cento e doze audiências, sujeitas a expedientes, em que tudo pode acontecer, protelando-as. Isto por que oito testemunhas não significam oito pessoas, uma vez que podem ser contestadas e trocadas, podem adoecer, etc. Assim, o tempo da Justiça e o tempo do processo penal são como duas paralelas, correm juntos mas não se encontram, a não ser no infinito.

      Prever com precisão a data da impunidade não é possível, já que dependeria do conhecimento da pena exata de cada réu e, antes disso, claro, dependeria da própria condenação. No caso da cratera da estação do metrô Pinheiros, a pena máxima imputável aos acusados é de quatro anos de reclusão. Logo, em 12 de janeiro próximo será integralizado o prazo de oito anos, o dobro da pena máxima atribuível.

      Das empreiteiras que formam o consórcio responsável pela obra, chamado Via Amarela, foram denunciados Fábio Andreani Gandolfo, diretor responsável pelo acompanhamento da obra; José Maria Gomes de Aragão, engenheiro; Alexandre Cunha Martins, engenheiro; Takashi Harada, gestor de projetos; Murillo Dondici Ruiz, projetista responsável pelo túnel que desabou; Alberto Mota, projetista; Osvaldo Souza Sampaio, projetista; e Luis Rogério Martinati, coordenador.

      Entre os funcionários do Metrô, foram denunciados Marco Antonio Buocompagno, gerente de construção; José Roberto Leite Ribeiro, gerente de construção; Cyro Guimarães Mourão Filho, coordenador de fiscalização; Jelson Antonio Sayeg de Siqueira, fiscal da obra; German Freiberg, fiscal da obra; e Celso da Fonseca Rodrigues, engenheiro.

      As empresas que constituem o consórcio Via Amarela são Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. O regime de construção é uma Parceria Público Privada (PPP), pelo qual as empresas realizam a obra em troca da concessão do direito de exploração comercial dos serviços por 30 anos.

      O laudo que integra o processo foi emitido pelo IPT. Considerou falhas nas análises e sondagens do terreno, que registrou não suportar a evolução das escavações, no fim de dezembro de 2006. Ainda assim, as obras prosseguiram com o uso de explosivos. Deixaram de ser realizadas avaliações necessárias de estabilidade do solo.

      O laudo registra que os responsáveis pela obra chegaram a se reunir na véspera do desabamento para exame de problemas estruturais verificados. Nela, decidiram reforçar as paredes da escavação com barras de ferro. Cerca de 10% do material necessário foi utilizado, porém. Pelo menos uma vez, na manhã da tragédia, foram utilizados explosivos. O consórcio contesta o laudo do IPT, tendo apresentado outro, em que o terreno e a chuva seriam os culpados pelo desabamento.

      Nenhuma punição de caráter administrativo foi imposta ao consórcio Via Amarela pelo então governador, José Serra. Quando da inauguração da estação Pinheiros, familiares das vítimas pediram ao governador Geraldo Alckmin a fixação de uma placa, em memória das vítimas. O pedido foi negado.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Albufeira Meads em perigo
                                                             
Antecipar-se às ameaças ambientais, desenvolvendo alternativas antes que os problemas estejam instalados, é a forma de construir o futuro desejado. E não se lamentar dele.

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EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Paulo Márcio de Mello*


►      Nos anos 1930, as economias industriais do Ocidente buscavam a sintonia fina das suas políticas econômicas, na tentativa de superar a profunda crise em que atolaram. As fórmulas que até então eram utilizadas, geralmente baseadas na expansão da oferta de moeda, deixaram de produzir os efeitos desejados.

►      Enquanto J.M. Keynes produzia o famoso “Teoria Geral dos Juros, do Emprego e da Moeda”, apresentado em 1936, guia da profunda transformação por que passou a economia, tentativas de superar o desemprego crescente foram praticadas intuitivamente. É contemporânea dessa época a construção da represa Hoover, localizada entre os estados norte americanos de Nevada e Arizona. Inaugurada em 1º de março de 1936 é, até hoje, considerada a maior obra de engenharia do país.

►      A albufeira da barragem Hoover é o lago Mead, maior reservatório de água dos EUA, com capacidade para armazenar até 32.200 km3, abastecido pelo rio Colorado. As águas do lago Mead suprem cerca de 90% das necessidades de Las Vegas, que fica a pouco menos de 50 km do lago. A cidade, famosa por seus imponentes hotéis-cassinos, tem cerca de 600 mil habitantes que, somados aos da região metropolitana, totalizam 2 milhões de habitantes, aproximadamente. Um dos seus símbolos mais conhecidos internacionalmente são as fontes de águas dançantes, do famoso hotel Bellagio.

►      A soma de fatores como a localização em uma região desértica, o crescimento exponencial da população, a expansão imobiliária, a redução da vazão do rio Colorado e o elevado padrão de consumo de água, da ordem de 800 litros diários per capita, certamente poderiam levar Las Vegas a viver uma crise de escassez de água.

►      Tomando das mãos do acaso e assumindo a construção do seu futuro enquanto há tempo, autoridades governamentais de Nevada, estado onde se situa Las Vegas, investem preventivamente na reversão do problema. Com recursos estimados em US$ 817 milhões, está sendo construído o terceiro túnel de tomada de água, situado a 91 metros de profundidade do lago. Este túnel, previsto para se tornar operacional no final de 2015, corrige o efeito do processo de redução da quantidade de água armazenada no lago Meads.

►      Em julho de 2014, pela primeira vez, o Meads registrou menos de 40% de sua capacidade total e, com o ritmo de redução da sua lâmina d’água, no final de 2015, um dos túneis de captação, o mais antigo, dos anos 1960, a 33 metros de profundidade, ficaria inoperante. Assim sobrecarregaria o segundo túnel, construído no início dos anos 2000, que capta a água a 48 metros de profundidade.

►      As obras estão sendo complementadas com a edição de leis, como a que obriga os hotéis a reciclar a água de que se servem, incluída a da descarga dos banheiros. Ou da proibição de que as residências mantenham jardins com grama, que precisam ser regados, substituindo a grama por pedras.

►      Ainda assim, há 50% de chances do lago Meads ser considerado morto, até 2036, com consequências dramáticas para a cidade de Las Vegas, se não avançarem as negociações para, após uma década de seca, poupar o rio Colorado, que não consegue repor as perdas do lago Meads, dado o alto nível de consumo de cidades a montante do rio, como Los Angeles e Phoenix.

Política de águas e emissões

A agência Thomson Reuters (http://thomsonreuters.com/) publicou o relatório “Global 500 greenhouse gases performance 2010-2013: 2014 report on trends (http://thomsonreuters.com/corporate/pdf/global-500-greenhouse-gases-performance-trends-2010-2013.pdf)”. Nele, estão computadas as emissões de gás carbônico, metano, óxido nitroso e outros gases causadores do aquecimento global das 500 maiores empresas do mundo, em 2013.

Expresso em unidades equivalentes a milhões de toneladas de CO2 (mi ton), é a seguinte a relação das 20 gigantes mais poluentes.

(1º) Petrochina (China): 311 mi ton;

(2º) China Petroleum & Chemical Petróleo (China): 249 mi ton;

(3º) Arcelor Mittal (Luxemburgo): 207 mi ton;

(4º) NTPC (Índia): 201 mi ton;

(5º) RWE (Alemanha): 167 mi ton;

(6º) GDF Suez (França): 153 mi ton;

(7º) Duke Energy (EUA): 136 mi ton;

(8º) Gazprom (Rússia): 132 mi ton;

(9º) Exxon Mobil (EUA): 126 mi ton;

(10º) E.ON SE (Alemanha): 121 mi ton;

(11º) Enel SpA (Itália): 116 mi ton;

(12º) American Electric Power (EUA): 115 mi ton;

(13º) Nippon Steel & Sumitomo (Japão): 114 mi ton;

(14º) Holcim (Suíça): 102 mi ton;

(15º) The Southern Company (EUA): 102 mi ton;

(16º) Lafarge (França): 93 mi ton;

(17º) Posco (Coreia do Sul): 88 mi ton;

(18º) Royal Dutch Shell (Holanda): 83 mi ton;

(19º) EDF (França): 81 mi ton; e

(20º) Petrobras (Brasil): 73 mi ton.

Em nota, a Petrobras explicou que as emissões cresceram em decorrência da estiagem no Sudeste do Brasil. Com a redução da vazão dos rios, teve prejudicado o uso das hidrelétricas, ligando as usinas térmicas, mais poluentes.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
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pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade, à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Supermercado da xepa
                                                             

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 1/3 de todos os alimentos produzidos são desperdiçados. Muitas vezes, o descarte é feito por danos nas embalagens, erros nos rótulos ou pela aparência.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Paulo Márcio de Mello*

     A 20ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou, simplesmente, Conferência do Clima de Lima (COP 20), reabilitou sentimentos de conferências anteriores, como decepção, frustração e até ... esperança.

       O cenário da COP 20 é a assertiva do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC; www.ipcc.ch), segundo a qual é necessário reduzir de 40% a 70%, até 2050, tendo por base os dados de 2010, o total de emissões dos gases causadores do aquecimento global e zerar as emissões, até 2100, para frear a elevação da temperatura em 2ºC, até o final deste século.

     Em 2013, o acesso aos alimentos foi uma preocupação para 34,5 milhões de brasileiros. Este número corresponde a cerca de 17% da população residente em domicílios particulares em situação de insegurança alimentar leve, ou 14,8% do total dos domicílios onde havia algum tipo de insegurança.

       No total, 52 milhões de brasileiros não tiveram acesso ao alimento de qualidade, na quantidade satisfatória, correspondendo a residentes nos 22,6% dos 65,2 milhões dos domicílios registrados. Este número já foi pior. Em 2004, eram 34,8 % dos domicílios e, em 2009, 29,5%. É o que informa o suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra Domicílios (Pnad) 2013, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

       Outro contingente, com cerca de 10,3 milhões de brasileiros, cerca de 5,1% da população, conviveu com a limitação de acesso à quantidade satisfatória de alimentos. Representam 4,6% dos domicílios. Foram casos de insegurança alimentar moderada, aquela em que as pessoas convivem com a restrição de alimentos, de modo quantitativo.

       Um terceiro contingente, com 7,2 milhões de brasileiros, equivalentes a 3,6% da população, em 3,2% dos domicílios, chegaram a experimentar a fome, em 2013. É o caso da insegurança alimentar grave, cujo grau mais acentuado é a fome. Em 2004, este percentual de domicílios era de 6,9% e, em 2009, de 5%.

    Por outro lado, em situação de segurança alimentar, o número de famílias aumentou. Passou de 70,5%, em 2009, para 77,4%, em 2013. Significa que cerca de 150 milhões de brasileiros tiveram acesso permanente e regular, em quantidade, a alimentos de qualidade.

     Segundo o estudo, nos domicílios com brasileiros em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, 7,4% da população residente habitavam áreas urbanas, enquanto 15,8% da população estavam em áreas rurais.

     Em relação às regiões geográficas, dos brasileiros residentes em domicílios em situação de insegurança alimentar, 36,1% localizavam-se na região Norte e 38,1% na região Nordeste. O menor índice foi o da região Sudeste, com 14,5% do total dos residentes em domicílios em situação de insegurança alimentar.

      Do percentual de brasileiros residentes em domicílios em situação de insegurança alimentar grave, 6,7% localizavam-se na região Norte; 5,6% na região Nordeste, enquanto na região Sul estavam 1,9% e na região Sudeste 2,3%. Entre 2004 e 2013, o maior crescimento percentual de domicílios livres da insegurança alimentar foi o do Nordeste, com 15,5%.

       Em 2013, o estado com o melhor índice de segurança alimentar foi o Espírito Santo (89,65% dos domicílios), seguido de Santa Catarina (88,9%) e São Paulo (88,4%), enquanto no Maranhão (39,1%) e no Piauí (39,1%) verificaram-se os piores índices. Os índices de segurança alimentar de todos os estados da região Nordeste ficaram abaixo da média nacional de 77,4% e, entre os estados da região Norte, só o estado de Rondônia superou-a (78,4%).

Supermercado da “xepa”

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que 1/3 de todos os alimentos produzidos são desperdiçados, situação agravada nos países mais industrializados, onde 300 milhões de alimentos são descartados anualmente, apesar de terem condições de consumo.

Muitas vezes, o descarte é feito por danos nas embalagens, erros nos rótulos ou pela aparência. Apesar de conservarem as suas propriedades alimentícias, ficam impedidos de frequentar as gôndolas dos supermercados. Os produtos descartados são elegantemente chamados de excedentes.

Na Europa começam a surgir supermercados voltados para a comercialização de excedentes, também chamados de supermercados sociais, que oferecem descontos de até 70% sobre os preços dos alimentos. Inglaterra, França, Espanha e Áustria já têm empreendimentos deste tipo.

Na Inglaterra surgiu o Community Shop, que tem a previsão de abertura de novos estabelecimentos. Trata-se de uma marca da Company Shop, rede tradicional de distribuição de excedentes. A loja-piloto do Community Shop fica na comunidade de Goldthorpe, região de muitas famílias de baixa renda, na cidade inglesa de Yorkshire. Inicialmente, a rede vendia os excedentes para os próprios colaboradores.

O conceito do Community Shop é o de atender à população que é cadastrada como beneficiária dos programas sociais do governo, oferecendo a ela programas de apoio financeiro, apoio social, instrução sobre culinária e sobre orçamento familiar.

No Brasil, estima-se em 40 mil toneladas/dia o total de excedentes, alimentos próprios para consumo que são jogados no lixo. Este número só não é maior pela existência da tradicional instituição brasileira, conhecida nas feiras livres como “xepa”, horário próximo do encerramento, em que as ofertas e promoções derrubam os preços. E a maledicência da vizinha faladeira derruba reputações...

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade,

à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.
COP 20
                                                             

A COP 20, recentemente realizada  em Lima (Peru), teve por conceito a preparação de um rascunho capaz de se transformar em um acordo climático na Conferência de Paris, prevista para dezembro de 2015, com o objetivo de reduzir drasticamente as emissões dos gases causadores do aquecimento.

blog do professor paulo márcio
economia&arte

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Paulo Márcio de Mello*

       A 20ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou, simplesmente, Conferência do Clima de Lima (COP 20), reabilitou sentimentos de conferências anteriores, como decepção, frustração e até ... esperança.

       O cenário da COP 20 é a assertiva do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC; www.ipcc.ch), segundo a qual é necessário reduzir de 40% a 70%, até 2050, tendo por base os dados de 2010, o total de emissões dos gases causadores do aquecimento global e zerar as emissões, até 2100, para frear a elevação da temperatura em 2ºC, até o final deste século.

       Na inobservância desta redução, segundo o IPCC, fenômenos como secas, enchentes e degelo dos polos serão mais intensos e frequentes. A temperatura média da Terra já subiu 0,85ºC, em relação à era pré-industrial

       Esta conferência tinha por objetivo central produzir o plano de trabalho para se chegar ao acordo climático, que deverá ser aprovado na Conferência de Paris, prevista para dezembro de 2015. O novo acordo deverá suceder o Protocolo de Kioto, que foi firmado em 1997, mas sabotado pelas nações que mais emitem os gases do aquecimento e expira em 2020.

       Com encerramento estipulado para a sexta-feira, 12 de dezembro, na madrugada do sábado seguinte, o presidente da COP 20, Manuel Pulgar-Vidal, distribuiu um texto e pediu aos representantes de mais de 190 países participantes que fizessem a leitura em trinta minutos e o ratificassem como estava.

       Diante da resistência de Brasil, China, Índia, África do Sul e dos países mais pobres, a reunião estendeu-se até o domingo, quando foi aprovado o plano de trabalho, denominado “Chamamento de Lima para a ação sobre o clima”.

       Ao apagar das luzes, os países desenvolvidos cederam à inscrição no documento do princípio de que cabe aos que, historicamente, mais poluíram fazer os cortes mais incisivos nas emissões de CO2. As metas de redução, os meios para atingi-las e o ano base para referenciar as metas de redução foram considerados como da economia doméstica de cada país, que deverá chegar a Paris, em 2015, com estes aspectos definidos.

       Nos últimos anos, a China, que deixou de ser encarada como país subdesenvolvido e passou a ser vista como um dos campeões de emissões de gases causadores do aquecimento, resistiu às incursões dos EUA, União Europeia e Japão para incluir no texto um compromisso com a metodologia de contabilização dos cortes das emissões. Resistiu sob o argumento de que aspectos da metodologia poderiam violar a sua soberania.

       Outro embate se deu entre o grupo denominado Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China) e os países mais ricos, quanto à responsabilidade destes em efetuar os maiores cortes nas emissões e em financiar o enfrentamento da mudança climática. O importante princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas foi mantido (ponto para o Basic), mas foi atenuado com a inscrição de um período, acrescentando que as medidas devem ser estipuladas à luz de circunstâncias nacionais distintas (ponto para EUA, Japão e EU).

       Foi estabelecido um cronograma até a COP 21, em Paris. Os países desenvolvidos deverão apresentar os seus planos de reduções de emissões de gases causadores do aquecimento, até março de 2015. Os demais países, até junho. Em novembro, pouco antes da COP 21, as propostas serão tabuladas, para se avaliar a eficácia das metas estabelecidas voluntariamente pelos países no impedimento de que a temperatura global atinja um aumento de 2º C, comparado com os níveis pré-industriais.

       Em resumo, a COP 20 delineou três campos a serem negociados. Um deles refere-se a aspectos críticos que integrarão o acordo que sucederá ao Protocolo de Kioto, em 2020, como providências que deverão ser implementadas pelos países para conter o aquecimento (cortes nas emissões de gases, novas tecnologias, desenvolvimento de energias renováveis, contenção do desmatamento, etc).

       Outro campo de negociação refere-se às metodologias que serão adotadas para assegurar as metas de contenção do aquecimento, chamadas Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDC, sigla em inglês). O terceiro campo é dirigido aos países desenvolvidos, para que adotem providências para mitigar as emissões entre 2015 e 2020.

       Ao final da COP 20, restaram avaliações que oscilam entre o otimismo e o ceticismo. Um dos fatores que ajudou a melhorar as expectativas foi o acordo firmado entre os EUA e a China, os dois maiores geradores dos gases causadores do aquecimento, em novembro deste ano. Por ele, a China estabelece o ano de 2030 como o do ápice da sua emissão de gases causadores do aquecimento, enquanto os EUA (com a crítica do partido Republicano, é verdade) comprometeram-se a reduzir em 27% as suas emissões, até 2025, tendo por base 2005.

       Ceticismo, por outro lado, evidenciou-se na Marcha dos Povos, que contou com a participação de comunidades indígenas do Peru, do Brasil, além ONGs ambientalistas, em Lima, durante a realização da COP 20. A crítica foi feita ao caráter economicista dos mecanismos de compra de direitos de poluir (como os REDDs), que permitem compensar danos ambientais com recursos financeiros. Sabedoria dos povos que viram na conferência a ênfase na mudança climática e não na mudança sistêmica.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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