terça-feira, 28 de abril de 2015

Nenhum de 16 anos
                                                             
No estado norte americano de New York,
o governador reeleito, Andrew M. Cuomo,
lidera pessoalmente
o movimento para elevar a maioridade penal,
de 16 para 18 anos.
Os motivos?
Entre outros, as taxas de reincidência na criminalidade aumentaram
quando a maioridade penal foi reduzida…

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economia&arte

EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 29 de abril de 2015
Paulo Márcio de Mello*

1a. página
 da edição de 29 de abril 
do jornal Monitor Mercantil

      Quarenta estados norte americanos, mais o Distrito de Columbia, onde se localiza a capital federal, Washington, estabelecem a maioridade penal a partir dos 18 anos de idade. Georgia. Louisiana, Michigan, Missouri, New Hampshire, South Caroline, Wisconsin e Texas estabelecem a maioridade penal aos 17 anos. A partir de 15 de julho, em New Hampshire passará para 18 anos. Apenas dois estados, North Caroline e New York, estabelecem a maioridade penal aos 16 anos.

      O estado de New Mexico permite que menores, a partir dos 14 anos, sejam penalizados como adultos, enquanto não se determina se o adolescente é delinquente. Isto, no entanto, só é possível nos casos de incidência e duas reincidência, nos três anos antecedentes, em uma relação de graves infrações à lei, como assassinato em primeiro ou segundo graus, sequestro, estupro, etc. Nos EUA, esta legislação é estabelecida na competência dos estados e não na alçada federal.

      Dos dez estados onde a maioridade penal está estabelecida abaixo dos 18 anos, em quatro há movimentos para aumentá-la para os 18 anos. São eles o Wisconsin e o Texas (ambos aos 17 anos) e New York e North Caroline (aos 16 anos).

      O governador reeleito de New York, Andrew M. Cuomo, em 9 de abril de 2014, assinou o Decreto no 131, que criou a Comissão da Juventude, Segurança Pública e Justiça. Os objetivos da comissão foram fixados no estudo e proposição de um plano concreto, com vistas a aumentar a maioridade penal, e de forma efetiva e prudente, sugerir medidas que digam como o sistema de justiça do estado poderia mais bem servir à juventude e proteger a sociedade. A comissão teve prazo até 31 de dezembro de 2014 para apresentar o relatório.

      O relatório “Recommendations for Juvenile Justice – Reform in New York State” (https://www.governor.ny.gov/sites/governor.ny.gov/files/reportofcommissiononyouthpublicsafetyandjustice_0.pdf) apresenta sete diretrizes que sustentam a possibilidade e necessidade da reforma. A primeira diretriz baseia-se na experiência de estados como Connectcut e Illinois, que aumentaram a maioridade penal para 18 anos e viram, em consequência, que a reincidência e as taxas de criminalidade juvenil no geral podem ser reduzidas através de intervenções junto aos jovens infratores, fora do sistema de justiça, no interior das famílias, da saúde mental ou de outros serviços.

      A segunda diretriz refere-se aos significativos impactos negativos do encarceramentode adolescentes junto a adultos, tais como maiores taxas de suicídio, crescimento da reincidência e danos, tanto aos infratores juvenis, quanto às suas comunidades.

      A terceira diretriz é a de que New York, apesar do orgulho de sua história pioneira nesta área, é hoje um dos dois únicos estados dos EUA que mantém a responsabilidade criminal aos 16 anos.

      A quarta diretriz aponta para a assimetria com que são  instaurados os processos contra jovens negros. Estes impactos são sentidos não só pelos jovens negros, sobrerrepresentados entre os jovens de 16 e 17 anos detidos por infrações, mas também pelas comunidades em que predominam os negros em todo o estado.

      A quinta diretriz está baseada em pesquisas científicas mais recentes, sobre a formação do cérebro (Elizabeth Cauffman and Laurence Steinberg. “Emerging Findings from Research on Adolescent Development and Juvenile Justice”; “Victims & Offenders” 7, no 4; 2012: 434; Scott and Steinberg. “Adolescent Development and the Regulation of Youth Crime”). As pesquisas revelam que partes do cérebro, incluindo as regiões que governam impulso e auto controle, desenvolvem-se mais tarde do que se sabia, após a adolescência e, para alguns, na metade dos anos vinte.

      Estas pesquisas demonstram que adolescentes não têm pleno controle das faculdades de julgamento e controle de impulsos, mas também demonstram que adolescentes respondem de forma mais profícua do que adultos aos esforços para reabilitação.

      Sexta diretriz, as pesquisas mencionadas têm reforçado diversas opiniões na Corte Suprema e instâncias inferiores, no sentido de restringir a natureza e o escopo das punições aplicadas a adolescentes infratores pelo Estado e governos locais, baseadas na constatação de que adolescentes são menos imputáveis de culpa e mais suscetíveis à reabilitação, em decorrência de seus cérebros ainda em formação.

      A sétima e última diretriz é possivelmente facilitada pela significativa redução na incidência de crimes violentos cometidos por jovens, desde os anos 1990. Esta redução tem contido o medo de jovens “super predadores” e substituído-o por um foco mais elaborado de redução da reincidência, através do estabelecimento de metas, sem tão somente aumentar os gaastos com encarceramento.

      O relatório de 164 páginas termina com um elenco consistente de 38 medidas propostas, sendo a primeira delas o aumento da responsabilidade penal de 16 para 18 anos.

No Brasil, a PEC 171

Votada pela Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara Federal, em 31 de março passado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no 171/1993, foi aprovada por 42 votos a 17. O passo legislativo seguinte é a votação em plenário.

Argumento mais utilizado por quem pugna pela redução da maioridade penal no país, de que a violência diminuirá com a sua aprovação, não se sustenta. Estudos e evidências apontam no sentido contrário. A sensação de impunidade, que leva pessoas a apoiar a aprovação da emenda, decorre de outras causas, como as que levam ao baixíssimo índice de apuração dos homicídios no Brasil, inferior a 8% dos ocorridos.

Além do mais, há a questão de se apurar o foco. Nenhum infrator de 16 ou 17 anos foi encontrado nas apurações dos casos de corrupção que, atualmente, povoam o noticiário do país.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade,

à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Lavajatômetro (I)
                                                             
A inauguração do National debt clock, em Nova Iorque, em 1989,
que exibe a evolução do déficit público norte americano em tempo real,
desencadeou uma onda de medidores semelhantes, sobre assuntos diversos.
No Brasil, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo é,
possivelmente, o mais conhecido deles.

Para cooperar com quem não quer perder as contas das empresas que respondem a processos administrativos de responsabilização instaurados pela CGU, apresentamos o “Lavajatômetro”. Acompanha um breve trecho do credo corporativo de cada uma delas, publicado pelas próprias.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 18 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*


As empresas seguintes (em ordem alfabética) são alvo de processo administrativo de responsabilização por parte da Controladoria Geral da União (CGU), por suspeita de envolvimento na operação “Lava Jato”. Não perca as contas.

1. Alumni Engenharia.
(Site não encontrado)

2.Andrade Gutierrez.
Em www.andradegutierrez.com.br, constam os “12 princípios que expressam o modo Andrade Gutierrez de ser e produzir”, a saber.

(1)“Dedique-se à gente”; (2)“Seja meritocrático”; (3)“Tenha espírito de dono”; (4)“Pense grande”; (5)“Busque o autodesenvolvimento”; (6)“Faça e exija tudo bem feito e com qualidade”; (7)“Trabalhe de forma produtiva”; (8)“Entenda profundamente nossos clientes e transforme isso em valor”; (9)“Cultive relacionamentos de longo prazo”; (10)“Cultive e proteja nossa reputação”; (11)“Lute incansavelmente por rentabilidade”; e (12)“Defenda e dissemine nossa cultura, todos os dias, em todas as suas ações.”

3.Camargo Corrêa.
Em www.camargocorrea.com.br, Código de conduta empresarial, estão os “valores permanentes que o Grupo Camargo Corrêa adota”, “originários da sua história e de sua prática”. (1)“Respeito às pessoas e ao meio ambiente”; (2)“Atuação responsável; (3)“Transparência”; (4)“Foco no resultado”; e (5)“Qualidade e inovação.”

4.Engevix.
Em www.engevix.com.br, Política, a empresa afirma que seu compromisso é “compatibilizar suas atividades com a melhoria contínua da qualidade, prevenção de impactos ao meio ambiente, riscos de segurança e a melhoria da saúde ocupacional, sempre de forma continuada, através de ações promovidas junto a sua força de trabalho e a seus associados, fornecedores, parceiros e terceiros, respeitando os direitos humanos e promovendo o desenvolvimento sustentável. Este compromisso implica no cumprimento da legislação, das normas e dos requisitos contratuais, de acordo com os seguintes princípios: (1)“Satisfação de clientes”; (2)“Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente; (3)“Educação e Motivação”; (4)“Responsabilidade e Integridade; (5)“Redução e Prevenção”; e (6)“Melhoria Contínua”.

5.Fidens Engenharia.
Em www.fidens.com.br, Política, a empresa relaciona como seus compromissos (1)“Surpreender positivamente o cliente, através da realização de projetos eficazes e eficientes; (2) “Gerar o lucro planejado, garantindo o retorno aos acionistas e o reconhecimento pelos serviços realizados; (3)“Manter a equipe de colaboradores comprometida e valorizada, com acesso à tecnologia de ponta; (4)“Preservar a saúde ocupacional de todas as pessoas que interagem com seus processos, prevenindo incidentes físicos e controlando os riscos do ambiente de trabalho; (5) “Minimizar os impactos ambientais significativos, por meio da prevenção da poluição e da racionalização da geração de resíduos e do consumo de insumos relativos às suas atividades; (6)“Atender à legislação vigente de segurança, medicina do trabalho, meio ambiente e outros requisitos aplicáveis e/ou subscritos pela empresa; e “Promover a melhoria contínua dos sistemas de gestão.

6.Galvão Engenharia.
Em www.galvão.com/missaovisaoevalores, o grupo enuncia como seus valores (1)“Valorização das pessoas”; (2) “Gestão ágil e compartilhada”; (3) “Excelência no serviço ao cliente”; (4)“Compromisso com resultados”; (5) “Responsabilidade com o meio ambiente e a comunidade”; (6)“Promoção da saúde e segurança”; e (7)“Compromisso com a transparência e com a ética.”

7.GDK.
Em www.gdksa.com/culturacorporativa, a empresa exibe como seus valores (1)“Compromisso - Cliente, sociedade, fornecedores e colaboradores; (2)“Qualidade - Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Produto; (3)“III. Ética - Na conduta e no Relacionamento”; e (4) Humildade - Comportamento e Solicitude.

8.Iesa Óleo e Gás.
Em www.iesa.com.br, Identidade estratégica, o grupo identifica três “valores essenciais”, derivados de compromissos. (1)“Assegurar a excelência no desempenho, garantindo um padrão de atendimento que satisfaça, plenamente, às expectativas do cliente – interno e externo – constitui pré-requisito eliminatório da entrada e permanência de qualquer colaborador nos nossos quadros”. O valor essencial decorrente é “compromisso com a qualidade, segurança, meio ambiente, com a saúde no trabalho e com a responsabilidade social”; (2) “A postura digna e respeitosa nas relações com todos os públicos-alvo objetos de nossos relacionamentos deve caracterizar-se como um positivo diferencial do profissional da Iesa Óleo&Gás. Disso, não abriremos mão!”. O valor essencial decorrente é “respeito profissional”; e (3) “O zelo eo respeito no trato com a reputação institucional e com os propósitos da Iesa Óleo e Gás devem representar pontos de ‘não-transigência’ do comportamento de nossa equipe”. O valor essencial decorrente é “comprometimento com a imagem do negócio.”

(Continua com Mendes Junior; OAS; Odebrecht; Odebrecht Ambiental; Odebrecht Óleo e Gás; Promon Engenharia; Queiroz Galvão; Sanko Sider; SOG Óleo e Gás; e UTC-Constran. Por enquanto...)

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Deixados para trás
                                                             
Compreender a  realidade da pobreza crônica.
É a recomendação do Banco Mundial para quem tem
responsabilidade sobre políticas que pretendem combate-la.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 11 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Cerca de 130 milhões de latino-americanos, correspondendo a dois habitantes em cada grupo de dez, sobrevivem com menos do que o equivalente a US$ 4.00 diários, sem conhecer outra realidade por toda a vida.

u      Apesar do crescimento do produto interno não representar nenhuma garantia de melhora significativa por si só, a situação tende a se agravar, na medida em que o PIB regional mostra um recuo de cerca de 6%, em 2010, para 0.8%, em 2014. É o que consta do novo relatório do Banco Mundial, denominado “Left Behind, Chronic Poverty in Latin America and the Caribbean” (Deixados para trás: a pobreza crônica na América Latina e no Caribe)

u      Apesar do ciclo de políticas compensatórias praticadas por diferentes países da região nos últimos vinte anos, há uma crônica resistência da pobreza, explicada por restrições derivadas da desestruturação no âmbito familiar e pela insuficiência de serviços essenciais para reverter este trágico cenário, como motivação e qualificação profissionalizante, além de serviços básicos, como saneamento, abastecimento de água e políticas de desenvolvimento local, entre outros.

u      Entre as principais conclusões do relatório “Deixados para trás…” constam a de que há variações significativas no desempenho dos países da região. Assim, Uruguai, Argentina e Chile apresentam taxas mais baixas de pobreza crônica, situadas em torno de 10%.

u      Por outro lado, Nicarágua, Honduras e Guatemala registram taxas de pobreza crônica muito mais elevadas, em média de 21%. Entre Nicarágua e Guatemala, por exemplo, as taxas de pobreza crônica oscilam entre 37% e 50%, respectivamente.

u      Outra conclusão é a de que há variações acentuadas no interior dos países. Em um mesmo país, algumas regiões apresentam taxas de pobreza crônica até 8 vezes maiores do que as mais baixas. Cita o Brasil como exemplo, apontando para o estado de Santa Catarina, com a taxa de pobreza crônica em torno de 5%. Por outro lado, no Ceará esse índice chega a 40%.

u      A pobreza crônica, apesar de se apresentar mais alta na área rural, ocorre tanto nesta quanto na área urbana. Esta outra conclusão do estudo decorre da constatação de que em países como Chile, Brasil, México, Colômbia e República Dominicana, foram observados mais pobres crônicos nas áreas urbanas do que nas áreas rurais, entre 2004 e 2012.

u      No Peru, outro exemplo, os portadores de tuberculose vivem, em grande parte, nas favelas de Lima. Deles, 43% se mostraram propensos a abandonar o tratamento antes da cura, por se sentirem deprimidos com o diagnóstico. Foi criado então um programa para superar este obstáculo à cura. O programa oferece tratamento gratuito e disponibiliza psicólogos clínicos, com o objetivo de tratar a depressão. Oferece também apoio para identificar oportunidades de atividades capazes de promover a geração de renda para as pessoas afetadas pela doença.

u      Exemplos de bons programas de compensação social não faltam. É o caso do programa denominado “Chile Solidario”, ou o “Red Unidos”, na Colômbia, que empregam trabalhadores sociais para estabelecer um intercâmbio entre os beneficiários e os programas sociais que tratam das necessidades específicas das famílias.

u      O Banco Mundial propõe que os formuladores de políticas públicas na América Latina reavaliem o enfoque dos programas de redução da pobreza, com base no estudo, utilizando-o para melhor compreender a realidade da pobreza crônica e onde ela se localiza.

Instituto Ethisphere

Desde 2007, o Instituto Ethisphere, norte americano, relaciona as “empresas mais éticas do mundo”, aquelas que “vão além do discurso de que fazem negócios com ética e transformam palavras em ação”.
Apenas duas empresas brasileiras já apareceram no ranking, que é agrupado por setores produtivos.

A Natura figurou na primeira lista, de 2007, no setor de produtos de consumo, junto com as empresas Bright Horizons (EUA), Hindustan Lever (EUA), Kao Corporation (Japão) e Johnson & Sons (EUA). Depois desse ano, voltou ao ranking nos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014.

Desde 2014, outra empresa brasileira, o Banco do Brasil, passou a constar do ranking, no setor dos bancos com atuação nacional. Em 2015, repetiu a inclusão na lista, como já noticiou o Monitor Mercantil, junto com o National Australia Bank e com o Australia Teachers Mutual Bank.

Foram destacadas 132 empresas, de 21 países e de mais de 50 setores de atividades. Entre as empresas, 15 foram ranqueadas em todos os nove anos de existência da distinção. A metodologia pontua as empresas em aspectos diversos de cinco requisitos: Ética e programa de compliance; Cidadania corporativa e responsabilidade socioambiental; Cultura para a Ética; Governança e Liderança, inovação e reputação.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Até você ?
                                                             
Um site deixa gigantes modernos,
como  Google e Apple,
de saia justa…

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 4 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Tomando-se como referência as 500 maiores empresas brasileiras, verifica-se que, entre as funções executivas, 86,3% são exercidas por homens. Mulheres ocupavam 13,7% destas funções, em 2010. Desde 2001, quando os homens ocupavam 94% das funções executivas, há uma evolução progressiva, ainda que lenta, da participação feminina, de 6% em 2001, para 10,6% em 2005, e 11,5% em 2007.

u      Os números constam do estudo "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas" (disponível em http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-eb4Perfil_2010.pdf), realizado pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e Ibope Inteligência, com base em uma amostra extraída da relação das empresas classificadas na publicação "Melhores e Maiores 2009", editada pela revista Exame.

u      No âmbito gerencial, em 2010, ano da mais recente publicação da série, 77,9,% das funções foram ocupadas por homens e 22,1% por mulheres. Novamente, registra-se uma discreta evolução, desde o início da medição deste indicador, quando em 2003, mulheres ocuparam 18% das funções gerenciais. Em 2005, um salto discrepante mostrou 31% das funções gerenciais ocupadas por mulheres. A discrepância é parcialmente corrigida em 2007, quando o estudo consigna 24,6% de ocupação destas funções por mulheres, dado mais consistente com os 22,1% de funções gerenciais exercidas por mulheres em 2010.

u      No exercício das funções de supervisão, observa-se que mulheres ocupam 26,8% delas, em 2010. Em relação ao primeiro ano da série de observação, em 2003, quando a marca da presença feminina nestas funções era de 28%, registra-se uma discreta melhora. Na composição do elenco de funcionários deste conjunto das maiores empresas do país, observa-se uma redução da presença feminina, de 35% em 2003, para 33,1%, em 2010.

u      Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE; PNAD 2012) complementam este cenário de iniquidade. Na composição da população brasileira com 15 anos de idade ou mais, a participação das mulheres é de 52,1%. Nas faixas de escolaridade de 8 a 10 anos, o contingente feminino é 2,2% superior ao de homens, no intervalo de 11 a 14 anos de escolaridade, é 18% superior e, no de 15 anos ou mais de escolaridade, é 36,9% superior ao masculino.

u      Apesar de tudo, o rendimento médio mensal das mulheres corresponde à apenas 74% do valor do rendimento médio total.

Até você, Google ?

Em janeiro deste ano, foi lançado o site InHerSight, com o propósito de desnudar as desigualdades existentes nas empresas, que limitam as possibilidades de progressão funcional de mulheres, e de conciliar maternidade e carreira, entre outros temas.

Inicialmente, o site utiliza-se de um questionário simples e de rápido preenchimento, através de questões sobre facilidades proporcionadas (ou negadas) para a trabalhadora ser mãe, em uma escala de um a cinco. Quem se interessar também poderá fazer comentários sobre a empresa. A criação é de Ursula Mead, mãe e operadora de mercado financeiro. Ela estuda a possibilidade de tornar o site uma ferramenta que possa ser utilizada também em outros países, além dos EUA.

Apesar do pouco tempo de existência, algumas reflexões já podem ser feitas. Exemplo é o caso do Google, uma empresa situada entre as que tratam bem as mulheres. Ela obteve 4,8 (em 5,0) no aspecto condições para ser mãe e 4,7 em apoio para o crescimento familiar. Onde está o ponto mais fraco do Google, porém? Na representação feminina em cargos de alta direção, com nota 2,9. Curiosamente, a Apple também teve neste aspecto a sua menor pontuação (2,7).

Em seu propósito, o site InHerSight não pretende apurar dados estatisticamente exatos, nem se limitar à discussão sobre direitos formalmente conquistados. Se uma mulher sente algum constrangimento em utilizar-se plenamente do período de uma licença maternidade, por exemplo, há algum dente na engrenagem da empresa que não se encaixa adequadamente no sulco. O que o InHerSight pretende é fomentar o debate sobre a igualdade de oportunidades nas corporações.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sobra de água
                                                             
A economia de água não  será alcançada
 com a percepção equivocada
sobre onde está verdadeiramente o desperdício.
Enquanto isso, a Sabesp oferece tarifas menores
para quem gasta mais.

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Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Sempre que se fala na importância da água, como nesta época de escassez de água e de gestão, alguém aponta o dedo na sua direção e tenta fazer com que você se sinta culpado por cada gota deste recurso. Seja por que você demora muito no banho, ou não fecha a torneira enquanto lava a louça, ou enquanto faz a barba, ou não conserta a torneira que fica pingand o, etc.

u      O que não se diz é que este tipo de uso da água, o uso doméstico, representa tão somente 1% a 2% do total. Claro que é correto poupar recurso tão precioso, mas se todos reduzissem o banho à metade do tempo, fechassem sempre a torneira na hora de lavar a louça, de fazer a barba e corrigissem de uma vez o pinga-pinga da torneira, o ganho que se obteria com isso não seria maior do que 0,5% d o consumo total. Cada um estaria fazendo a sua parte. O mais importante, entretanto, é fazer o que tem de ser feito.

u      Em que atividades se desperdiça de verdade a água? Os outros tipos importantes do seu uso são o realizado pelas empresas industriais e de outros setores (29%) e, principalmente, o uso realizado no campo, nas grandes propriedades agropecuárias (quase 70%). São os métodos de irrigação da grande produção agrícola, caracterizados por aqueles pivôs que projetam a água e pro piciam belas fotografias, os maiores responsáveis pelo desperdício de água. E não tem que ser assim.

u      Há alternativas de canaletas, gotejamento e outras que são poupadoras de água, sem comprometer a produtividade da produção agrícola. Em novembro do ano passado, o governo federal lançou um importante programa de incentivo à produção agrícola, chamado Mais Irrigação, com muitos recursos e nem uma palavra para estimular a substituição dos métodos que desperdiçam, por outros, mais poupadores. A produção de produtos primários, com métodos abusivos de desperdício água, é responsável por algumas das mais importantes "commodities" que sustentam as exportações brasileiras.

u      Quarto maior produto em importância na pauta de exportações de produtos básicos do Brasil, responsável por uma receita da ordem de US$ 6,7 bilhões de dólares, a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada, incluindo miúdos, representou 2,78% da receita de exportação brasileira. Para produzir este item, foram utlizados 13,9 bilhões de litros de água no ano passado.

u      Cada quilo de carne de frango exportada alcançou o valor médio de US$ 1,89 no mercado internacional. Se a água fosse valorizada da mesma forma, caberia uma indenização por seu uso da ordem de US$ 1,7 milhão, somente para o item carne de frango. Como, no entanto, o produtor externaliza o custo da exaustão da água, isto é, transfere a sua responsabilidade para a sociedade, a indenizaç&atild e;o devida é "pendurada", mas como é acumulada ano a ano, acabará sendo paga, quando a escassez apresentar a conta da redução no estoque de água virtual.

u      Mais um exemplo pode ser apresentado com outro item importante da pauta de exportações do país, o oitavo entre os produtos básicos, a carne de bovinos congelada, fresca ou refrigerada. O item gerou quase US$ 4,5 bilhões de dólares de receita de exportação, ou 1,85% da receita total da balança comercial. Para se chegar à esta produção, foram necessários cerca de 14,7 b ilhões de litros de água.

u      Cada quilo de carne de bovino congelada, fresca ou refrigerada alcançou o valor médio de US 4,7. Da mesma forma, se a água necessária para se obter esta produção fosse valorizada, caberia uma indenização mínima de US$ 287 mil, correspondente a este item exportado.

u      Outro exemplo pode ser apresentado com um item da pauta de exportações de produtos semimanufaturados de ferro ou aços, responsável por uma receita de exportação de aproximados US$ 3,8 bilhões. Trata-se de um item responsável por 1,58% do total da receita da balança comercial. Esta produção foi obtida com o emprego de 4,0 trilhões de litros de água. Cada quilo do produ to foi vendido ao preço médio de US$ 0,58. Se a água empregada na produção exportada desta "commodity" fosse também valorizada, a indenização devida alcançaria pelo menos US$ 6,4 milhões.

u      Somente na produção destes três itens, que somados representam 6,21% da receita da balança comercial, deixam de ser indenizados US$ 8,4 milhões, em royalties devidos pelo uso da água. O custo ambiental, externalizado pelos exportadores, não se sabe exatamente quando será pago. Mas é certo que será pago, pelas próximas gerações ou, quem sabe, por esta.

u      As dificuldades de gerir adequadamente o uso da água podem ser exemplificadas com o caso das tarifas privilegiadas de grandes consumidores da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), divulgado no Brasil pelo jornal Monitor Mercantil, durante o carnaval.

u      Em nota, a Sabesp explicou que, em 2012, a companhia incentivou grandes empresas a assinarem os "contratos de demanda firme", nos quais era contratado um montante de água, por um valor fixo, através de uma tarifa com desconto. Ainda que a empresa não consumisse todo o pacote, pagava-se o mesmo valor. A Sabesp admite que a estratégia foi motivada pela "busca por lucro" em um cenário em que havia "sobra de água". Ela disse sobra de água. Em 2012...

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Uma banana para o preconceito
                                                             
As maiores empresas  brasileiras negligenciam
a participação de negros e de mulheres nos cargos mais altos.
E nos de outros níveis também.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Entre as funções executivas das 500 maiores empresas brasileiras, 93,3% são exercidas por brancos. Negros exercem 5,3% das funções executivas. O conceito reúne "pardos", que ocupam 5,1% destas funções e "pretos", que exercem 0,2% das funções (totalizando assim 5,3%. O restante é exercido por amarelos).

u     Os números já foram piores. Em 2001, 95,2% das funções executivas nas maiores empresas eram desempenhadas por brancos e 2,6% por negros. Apesar das alterações, não se pode concluir pela manifestação de qualquer mudança estrutural neste cenário.

u    São números divulgados pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e Ibope Inteligência, em 2010, ano em que o Instituto Ethos publicou a quinta e mais recente edição do "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas" (disponível em http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-eb4Perfil_2010.pdf), com base na relação das empresas classificadas na publicação "Melh ores e Maiores 2009", editada pela revista Exame.

u      No plano gerencial, 84,7% das funções foram ocupadas por brancos e 13,2% por negros, sendo 11,6% por pardos e 1,6% por pretos. O restante das funções gerenciais foi ocupado por amarelos (1,9%) e indígenas (0,2%). Nas funções de supervisão, observa-se que 73,0% foram ocupadas por brancos, 22,5% por pardos e 3,1% por pretos (portanto, os negros totalizam 25,6% das funções de supervisão). O restante foi ocupado por amarelos (1,3%) e indígenas (0,1%).

u    Observadores da realidade brasileira, os autores do samba enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, no carnaval de 2015, Marquinho Lessa, Adriano Ganso, Zé Catimba, Jorge Finge e Aldir Senna, conclamam "...A luz dentro de você acenda!"

u    O quadro funcional das empresas observadas era composto por 67,3% de brancos, 31,1% de negros (24% pardos e 7,1% pretos), 1,3% de amarelos e 0,3% de indígenas. Na composição da população brasileira, conforme o Censo 2010, há cerca de 82 milhões de pardos (43,1% do total) e 15 milhões de pretos (7,6%). Negros totalizam, portanto, 91 milhões (50,7% do total da população). Apesar de representarem a segunda maior população negra do mundo (atrás apenas da Ni géria), observa-se uma acentuada assimetria entre os 31% que compõem o quadro funcional das maiores empresas e os 50,7% que fazem a maioria da população.

u   A sabedoria no samba revela-se ainda mais quando canta que "A voz do vento vem prá nos contar que na Mãe África nasceu a vida. / Pura magia, 'baobá abençoado ... tanta riqueza no triângulo sagrado / Mistérios! Grandeza! O homem em comunhão com a natureza! / Tristeza e dor, na violência pelas mãos do invasor."

u  Planos, projetos ou objetivos de transformação da cena são praticamente inexistentes, apesar de se tratar do elenco de empresas com maior poder de impacto. Apenas 3% das empresas que responderam à pesquisa revelaram dispor de metas para alterar este cenário de iniquidade...

u   E continua o samba, na sua sábia interpretação da realidade ou proposta de destino. "Vamos louvar o canto da massa / Unindo as raças pelo respeito... / Vamos lutar pelos direitos! / Uma banana para o preconceito! / Mandela! Mandela! / Num ritual de liberdade... / Lá vem a Imperatriz! Eu vou com ela! / Eu sou Madiba! Sou a voz da igualdade!

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade,
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