quarta-feira, 20 de maio de 2015

Os novos “navios tumbeiros”.
                                                                              
A complacência com práticas como as de roubar e furtar,
considerando-as culturais e, portanto, aceitáveis,
mesmo que dentro de limites,
tem importantes implicações econômicas,
como influenciar na concentração da renda e da riqueza,
na produtividade e rentabilidade, ou
na sustentabilidade.

blog do professor paulo márcio
economia&arte


coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 20 de maio de 2015
Paulo Márcio de Mello*


◙       "Sustentabilidade significa a integração ininterrupta e amparada do nosso modelo de negócios na comunidade. Significa estabelecer um contrato de longo prazo com propósito de agregar valor à sociedade”. Esta é a definição de “sustentabilidade” de Pablo Isla. Salvo erro de tradução, não pode ser mais inespecífica.

◙       Na genialidade inesquecível de Chico Anísio, na “Escolinha do Professor Raimundo”, poderia perfeitamente constar de um diálogo entre o professor, representado pelo próprio Chico Anísio, e a personagem Rolando Lero, representada por Rogério Cardoso.

◙       Mas quem é o autor assumido da definição, Pablo Isla? Trata-se do poderoso principal executivo do grupo espanhol Inditex, detentor das marcas Pull&Bear, Massimo Dutti, Bershka, Stradivarius, Oysho, Uterqüe, Zara Home e Zara. Como os nomes sugerem, marcas de requintadas mercadorias, vendidas em lojas elegantemente instaladas nas principais praças comerciais do planeta.

◙       O lema do grupo é “pronto para usar”, em tradução livre (“Right to wear”, www.inditex.com). Na página do grupo, há louvações à sustentabilidade, como “a base de todas as nossas decisões de negócios. Nós nos esforçamos para oferecer aos nossos clientes produtos seguros e éticos que são feitos de forma a respeitar o ambiente e a sociedade no sentido mais amplo”.

◙       Sem especificar como, o lema desdobra-se em um amplo leque de interferências nas práticas corporativas, como gestão da sustentabilidade, zelo pelos padrões dos produtos que assegurem a saúde e segurança dos clientes, responsabilidade e trabalho a serviço dos clientes, zelo pelas práticas de responsabilidade na cadeia de valor, investimento social de forma a estreitar os laços com as comunidades com que faz negócios, e considerar os aspectos ambientais em todas as práticas de negócios. Tudo bem inespecífico.

◙       Específico mesmo é o descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2011 para sanear as degradantes condições de trabalho que levaram a Zara a se utilizar de trabalho assemelhado a trabalho escravo, em sua cadeia de valor.

◙       De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 67 fornecedores da Zara foram auditados, o que resultou em 433 irregularidades verificadas. Entre as irregularidades, foram registradas excesso de jornada de trabalho, atraso nos pagamentos, acidentes, uso de trabalho infantil, discriminação por impedimento de utilização de imigrantes na produção, entre outros. A autuação pode resultar em multas da ordem de R$ 25 milhões.

◙       Em 2011, a Zara foi autuada por manter 15 trabalhadores bolivianos e peruanos em condições de trabalho análogas à de trabalho escravo em oficina de costura. Precariedade das condições de higiene, servidão por dívidas contraídas e jornada de trabalho excessiva.

◙       De lá para cá, as irregularidades persistem, sem a prometida adoção de medidas saneadoras. Na cadeia de fornecedores, foram identificadas 22 empresas com registro de jornada excessiva, e 23 com descontos não recolhidos ao Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).

◙       O relatório da Superintendência Regional do MTE indica ainda que empresas que utilizavam trabalhadores bolivianos foram excluídas da cadeia de fornecedores, caracterizando-se atitude discriminatória com restrição de acesso ao trabalho por origem ou etnia do trabalhador. Foram fechados ainda cerca de 3,2 mil postos de trabalho, em consequência da fuga de fornecedores para outros estados, a fim de escapar da fiscalização.

◙       Nos dez últimos anos cobertos pelas estatísticas divulgadas pelo Ministério Público do Trabalho (http://portal.mte.gov.br/data), de 2004 a 2013, foram resgatados 35.362 trabalhadores da condição de trabalho em condições análogas à de trabalho escravo no Brasil.

◙       “Navios negreiros” ou “navios tumbeiros” eram os nomes dados às embarcações que transportavam os escravos originários da África para o Brasil. O lucrativo comércio de escravos enriqueceu também os donos deste tipo de transporte. As embarcações, desenvolvidas para este fim, eram carregadas de um contingente excessivo de pessoas, para compensar as grandes perdas, que as condições desumanas de saúde, higiene e segurança determinavam.

◙       Os novos “navios tumbeiros”, com grife e requinte, arrastam até os nossos dias as lucrativas práticas escravistas, dissimuladas pelo discurso inespecífico e pelo brilho das vitrines, nos mais sofisticados endereços das capitais do mundo.



Paulo Márcio de Mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
pesquisas, resenhas, editais ou agenda, relativos à sustentabilidade,
à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

Aqui não tem terremoto
                                                                              
A complacência com práticas como as de roubar e furtar,
considerando-as culturais e, portanto, aceitáveis,
mesmo que dentro de limites,
tem importantes implicações econômicas,
como influenciar na concentração da renda e da riqueza,
na produtividade e rentabilidade, ou
na sustentabilidade.

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Coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 6 de maio de 2015
Paulo Márcio de Mello*

Há no Brasil mais de 860 shopping centers, reunindo mais de 130 mil lojas e público acima de 470 milhões de pessoas. São dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP). O faturamento consolidado em shoppings superou a marca de R$132 bilhões, em 2013. Roubos e furtos representam cerca de 70% das ocorrências de perdas no segmento. Os itens mais visados, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), são desodorantes, aparelhos de barbear, chocolates em geral, carnes e bebidas (com destaque para uísque e vodka).

Em consequência, o Brasil representa um mercado de segurança expressivo. O segmento de segurança eletrônica, em particular, segundo pesquisa da Security Industry Association (SIA) que, em 2011, representava R$ 1,2 bilhão, tem potencial de mercado de R$ 3,7 bilhões, até 2017. Os itens mais demandados são circuitos fechados de TV, alarmes e controladores de acesso.

As perdas por furto ou roubo no setor supermercadista que, em 2008, foram de 2,36% do faturamento, declinam ano a ano: 2,33% em 2009; 2,26% em 2010; 1,96% em 2011; e consolidando as perdas de todos os tipos, em 2012, alcançou R$ 4,74 bilhões, equivalentes a 1,95% do faturamento de R$ 242,9 bilhões.

Apesar das cifras bilionárias, apenas 28% dos supermercados priorizam a prevenção de perdas internas ou externas. Sobretudo quando os seus números estão na média, ou abaixo dela. É como se “estar na média” significasse estar enquadrado na cultura vigente. Restaria então externalizar este custo, transferindo-o para o bolso da população.

O índice médio de perdas de 1,95% do faturamento, em 2012, apurado pela 13ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro (Abras-Provar FIA-Nielsen), não se distribui de forma homogênea pelos diferentes segmentos do setor. Entre pequenos supermercados, ele é mais de três vezes o índice médio, alcançando perdas equivalentes a 6,7% do faturamento.

Se observadas as segmentações do varejo, podem ser constatadas, por exemplo, perdas entre os grandes varejistas de farmácias e drogarias de 0,33% do faturamento, enquanto entre pequenos chega a 4,6%. Em materiais de construção, o índice das perdas entre os grandes varejistas é de 1,02%, apurado sobre o faturamento. Já entre os pequenos, alcança 11,4%.

Entre as micro e pequenas empresas, o impacto da corrosão gerada pela cultura de tolerância com as perdas por roubos e furtos pode chegar a comprometer a sustentabilidade. Apesar da importância de representarem quase metade dos empregos do setor privado e mais de 95% dos estabelecimentos no Brasil, elas apresentam um índice 5,37 vezes maior do que as médias e grandes empresas (pesquisa Sebrae-Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo Ibevar).

Outro estudo, desta vez realizado pelo Centro de Pesquisas do Varejo, da Grã Bretanha, englobando 1069 empresas, de 41 países, situa o Brasil entre os 10 mais, em perdas no varejo provocadas por roubos, furtos e falhas processuais, como erros contábeis, alternando posições com Índia, Marrocos, México, África do Sul, Turquia, Tailândia e Eslováquia.

Após a deflagração da crise econômica, em 2008, houve um aumento generalizado das perdas, ressaltando-se os índices deste aumento da Itália (54,2%), África do Sul (52,6%) e EUA (51,7%). Na América Latina e América do Norte predominam as perdas por causas internas e na Europa, Ásia, Oriente Médio e África a predominância é de perdas provocadas por “clientes”. No Brasil, o estudo apresentou 41,2% das perdas causadas por empregados, 33,8% por clientes, 8,2% por fornecedores e 16,8% por erros de gestão.

Paulo Márcio de Mello
paulomm@paulomm.pro.br
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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terça-feira, 28 de abril de 2015

Nenhum de 16 anos
                                                             
No estado norte americano de New York,
o governador reeleito, Andrew M. Cuomo,
lidera pessoalmente
o movimento para elevar a maioridade penal,
de 16 para 18 anos.
Os motivos?
Entre outros, as taxas de reincidência na criminalidade aumentaram
quando a maioridade penal foi reduzida…

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EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 29 de abril de 2015
Paulo Márcio de Mello*

1a. página
 da edição de 29 de abril 
do jornal Monitor Mercantil

      Quarenta estados norte americanos, mais o Distrito de Columbia, onde se localiza a capital federal, Washington, estabelecem a maioridade penal a partir dos 18 anos de idade. Georgia. Louisiana, Michigan, Missouri, New Hampshire, South Caroline, Wisconsin e Texas estabelecem a maioridade penal aos 17 anos. A partir de 15 de julho, em New Hampshire passará para 18 anos. Apenas dois estados, North Caroline e New York, estabelecem a maioridade penal aos 16 anos.

      O estado de New Mexico permite que menores, a partir dos 14 anos, sejam penalizados como adultos, enquanto não se determina se o adolescente é delinquente. Isto, no entanto, só é possível nos casos de incidência e duas reincidência, nos três anos antecedentes, em uma relação de graves infrações à lei, como assassinato em primeiro ou segundo graus, sequestro, estupro, etc. Nos EUA, esta legislação é estabelecida na competência dos estados e não na alçada federal.

      Dos dez estados onde a maioridade penal está estabelecida abaixo dos 18 anos, em quatro há movimentos para aumentá-la para os 18 anos. São eles o Wisconsin e o Texas (ambos aos 17 anos) e New York e North Caroline (aos 16 anos).

      O governador reeleito de New York, Andrew M. Cuomo, em 9 de abril de 2014, assinou o Decreto no 131, que criou a Comissão da Juventude, Segurança Pública e Justiça. Os objetivos da comissão foram fixados no estudo e proposição de um plano concreto, com vistas a aumentar a maioridade penal, e de forma efetiva e prudente, sugerir medidas que digam como o sistema de justiça do estado poderia mais bem servir à juventude e proteger a sociedade. A comissão teve prazo até 31 de dezembro de 2014 para apresentar o relatório.

      O relatório “Recommendations for Juvenile Justice – Reform in New York State” (https://www.governor.ny.gov/sites/governor.ny.gov/files/reportofcommissiononyouthpublicsafetyandjustice_0.pdf) apresenta sete diretrizes que sustentam a possibilidade e necessidade da reforma. A primeira diretriz baseia-se na experiência de estados como Connectcut e Illinois, que aumentaram a maioridade penal para 18 anos e viram, em consequência, que a reincidência e as taxas de criminalidade juvenil no geral podem ser reduzidas através de intervenções junto aos jovens infratores, fora do sistema de justiça, no interior das famílias, da saúde mental ou de outros serviços.

      A segunda diretriz refere-se aos significativos impactos negativos do encarceramentode adolescentes junto a adultos, tais como maiores taxas de suicídio, crescimento da reincidência e danos, tanto aos infratores juvenis, quanto às suas comunidades.

      A terceira diretriz é a de que New York, apesar do orgulho de sua história pioneira nesta área, é hoje um dos dois únicos estados dos EUA que mantém a responsabilidade criminal aos 16 anos.

      A quarta diretriz aponta para a assimetria com que são  instaurados os processos contra jovens negros. Estes impactos são sentidos não só pelos jovens negros, sobrerrepresentados entre os jovens de 16 e 17 anos detidos por infrações, mas também pelas comunidades em que predominam os negros em todo o estado.

      A quinta diretriz está baseada em pesquisas científicas mais recentes, sobre a formação do cérebro (Elizabeth Cauffman and Laurence Steinberg. “Emerging Findings from Research on Adolescent Development and Juvenile Justice”; “Victims & Offenders” 7, no 4; 2012: 434; Scott and Steinberg. “Adolescent Development and the Regulation of Youth Crime”). As pesquisas revelam que partes do cérebro, incluindo as regiões que governam impulso e auto controle, desenvolvem-se mais tarde do que se sabia, após a adolescência e, para alguns, na metade dos anos vinte.

      Estas pesquisas demonstram que adolescentes não têm pleno controle das faculdades de julgamento e controle de impulsos, mas também demonstram que adolescentes respondem de forma mais profícua do que adultos aos esforços para reabilitação.

      Sexta diretriz, as pesquisas mencionadas têm reforçado diversas opiniões na Corte Suprema e instâncias inferiores, no sentido de restringir a natureza e o escopo das punições aplicadas a adolescentes infratores pelo Estado e governos locais, baseadas na constatação de que adolescentes são menos imputáveis de culpa e mais suscetíveis à reabilitação, em decorrência de seus cérebros ainda em formação.

      A sétima e última diretriz é possivelmente facilitada pela significativa redução na incidência de crimes violentos cometidos por jovens, desde os anos 1990. Esta redução tem contido o medo de jovens “super predadores” e substituído-o por um foco mais elaborado de redução da reincidência, através do estabelecimento de metas, sem tão somente aumentar os gaastos com encarceramento.

      O relatório de 164 páginas termina com um elenco consistente de 38 medidas propostas, sendo a primeira delas o aumento da responsabilidade penal de 16 para 18 anos.

No Brasil, a PEC 171

Votada pela Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara Federal, em 31 de março passado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no 171/1993, foi aprovada por 42 votos a 17. O passo legislativo seguinte é a votação em plenário.

Argumento mais utilizado por quem pugna pela redução da maioridade penal no país, de que a violência diminuirá com a sua aprovação, não se sustenta. Estudos e evidências apontam no sentido contrário. A sensação de impunidade, que leva pessoas a apoiar a aprovação da emenda, decorre de outras causas, como as que levam ao baixíssimo índice de apuração dos homicídios no Brasil, inferior a 8% dos ocorridos.

Além do mais, há a questão de se apurar o foco. Nenhum infrator de 16 ou 17 anos foi encontrado nas apurações dos casos de corrupção que, atualmente, povoam o noticiário do país.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
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à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Lavajatômetro (I)
                                                             
A inauguração do National debt clock, em Nova Iorque, em 1989,
que exibe a evolução do déficit público norte americano em tempo real,
desencadeou uma onda de medidores semelhantes, sobre assuntos diversos.
No Brasil, o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo é,
possivelmente, o mais conhecido deles.

Para cooperar com quem não quer perder as contas das empresas que respondem a processos administrativos de responsabilização instaurados pela CGU, apresentamos o “Lavajatômetro”. Acompanha um breve trecho do credo corporativo de cada uma delas, publicado pelas próprias.

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coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 18 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*


As empresas seguintes (em ordem alfabética) são alvo de processo administrativo de responsabilização por parte da Controladoria Geral da União (CGU), por suspeita de envolvimento na operação “Lava Jato”. Não perca as contas.

1. Alumni Engenharia.
(Site não encontrado)

2.Andrade Gutierrez.
Em www.andradegutierrez.com.br, constam os “12 princípios que expressam o modo Andrade Gutierrez de ser e produzir”, a saber.

(1)“Dedique-se à gente”; (2)“Seja meritocrático”; (3)“Tenha espírito de dono”; (4)“Pense grande”; (5)“Busque o autodesenvolvimento”; (6)“Faça e exija tudo bem feito e com qualidade”; (7)“Trabalhe de forma produtiva”; (8)“Entenda profundamente nossos clientes e transforme isso em valor”; (9)“Cultive relacionamentos de longo prazo”; (10)“Cultive e proteja nossa reputação”; (11)“Lute incansavelmente por rentabilidade”; e (12)“Defenda e dissemine nossa cultura, todos os dias, em todas as suas ações.”

3.Camargo Corrêa.
Em www.camargocorrea.com.br, Código de conduta empresarial, estão os “valores permanentes que o Grupo Camargo Corrêa adota”, “originários da sua história e de sua prática”. (1)“Respeito às pessoas e ao meio ambiente”; (2)“Atuação responsável; (3)“Transparência”; (4)“Foco no resultado”; e (5)“Qualidade e inovação.”

4.Engevix.
Em www.engevix.com.br, Política, a empresa afirma que seu compromisso é “compatibilizar suas atividades com a melhoria contínua da qualidade, prevenção de impactos ao meio ambiente, riscos de segurança e a melhoria da saúde ocupacional, sempre de forma continuada, através de ações promovidas junto a sua força de trabalho e a seus associados, fornecedores, parceiros e terceiros, respeitando os direitos humanos e promovendo o desenvolvimento sustentável. Este compromisso implica no cumprimento da legislação, das normas e dos requisitos contratuais, de acordo com os seguintes princípios: (1)“Satisfação de clientes”; (2)“Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente; (3)“Educação e Motivação”; (4)“Responsabilidade e Integridade; (5)“Redução e Prevenção”; e (6)“Melhoria Contínua”.

5.Fidens Engenharia.
Em www.fidens.com.br, Política, a empresa relaciona como seus compromissos (1)“Surpreender positivamente o cliente, através da realização de projetos eficazes e eficientes; (2) “Gerar o lucro planejado, garantindo o retorno aos acionistas e o reconhecimento pelos serviços realizados; (3)“Manter a equipe de colaboradores comprometida e valorizada, com acesso à tecnologia de ponta; (4)“Preservar a saúde ocupacional de todas as pessoas que interagem com seus processos, prevenindo incidentes físicos e controlando os riscos do ambiente de trabalho; (5) “Minimizar os impactos ambientais significativos, por meio da prevenção da poluição e da racionalização da geração de resíduos e do consumo de insumos relativos às suas atividades; (6)“Atender à legislação vigente de segurança, medicina do trabalho, meio ambiente e outros requisitos aplicáveis e/ou subscritos pela empresa; e “Promover a melhoria contínua dos sistemas de gestão.

6.Galvão Engenharia.
Em www.galvão.com/missaovisaoevalores, o grupo enuncia como seus valores (1)“Valorização das pessoas”; (2) “Gestão ágil e compartilhada”; (3) “Excelência no serviço ao cliente”; (4)“Compromisso com resultados”; (5) “Responsabilidade com o meio ambiente e a comunidade”; (6)“Promoção da saúde e segurança”; e (7)“Compromisso com a transparência e com a ética.”

7.GDK.
Em www.gdksa.com/culturacorporativa, a empresa exibe como seus valores (1)“Compromisso - Cliente, sociedade, fornecedores e colaboradores; (2)“Qualidade - Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Produto; (3)“III. Ética - Na conduta e no Relacionamento”; e (4) Humildade - Comportamento e Solicitude.

8.Iesa Óleo e Gás.
Em www.iesa.com.br, Identidade estratégica, o grupo identifica três “valores essenciais”, derivados de compromissos. (1)“Assegurar a excelência no desempenho, garantindo um padrão de atendimento que satisfaça, plenamente, às expectativas do cliente – interno e externo – constitui pré-requisito eliminatório da entrada e permanência de qualquer colaborador nos nossos quadros”. O valor essencial decorrente é “compromisso com a qualidade, segurança, meio ambiente, com a saúde no trabalho e com a responsabilidade social”; (2) “A postura digna e respeitosa nas relações com todos os públicos-alvo objetos de nossos relacionamentos deve caracterizar-se como um positivo diferencial do profissional da Iesa Óleo&Gás. Disso, não abriremos mão!”. O valor essencial decorrente é “respeito profissional”; e (3) “O zelo eo respeito no trato com a reputação institucional e com os propósitos da Iesa Óleo e Gás devem representar pontos de ‘não-transigência’ do comportamento de nossa equipe”. O valor essencial decorrente é “comprometimento com a imagem do negócio.”

(Continua com Mendes Junior; OAS; Odebrecht; Odebrecht Ambiental; Odebrecht Óleo e Gás; Promon Engenharia; Queiroz Galvão; Sanko Sider; SOG Óleo e Gás; e UTC-Constran. Por enquanto...)

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Deixados para trás
                                                             
Compreender a  realidade da pobreza crônica.
É a recomendação do Banco Mundial para quem tem
responsabilidade sobre políticas que pretendem combate-la.

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economia&arte

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 11 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Cerca de 130 milhões de latino-americanos, correspondendo a dois habitantes em cada grupo de dez, sobrevivem com menos do que o equivalente a US$ 4.00 diários, sem conhecer outra realidade por toda a vida.

u      Apesar do crescimento do produto interno não representar nenhuma garantia de melhora significativa por si só, a situação tende a se agravar, na medida em que o PIB regional mostra um recuo de cerca de 6%, em 2010, para 0.8%, em 2014. É o que consta do novo relatório do Banco Mundial, denominado “Left Behind, Chronic Poverty in Latin America and the Caribbean” (Deixados para trás: a pobreza crônica na América Latina e no Caribe)

u      Apesar do ciclo de políticas compensatórias praticadas por diferentes países da região nos últimos vinte anos, há uma crônica resistência da pobreza, explicada por restrições derivadas da desestruturação no âmbito familiar e pela insuficiência de serviços essenciais para reverter este trágico cenário, como motivação e qualificação profissionalizante, além de serviços básicos, como saneamento, abastecimento de água e políticas de desenvolvimento local, entre outros.

u      Entre as principais conclusões do relatório “Deixados para trás…” constam a de que há variações significativas no desempenho dos países da região. Assim, Uruguai, Argentina e Chile apresentam taxas mais baixas de pobreza crônica, situadas em torno de 10%.

u      Por outro lado, Nicarágua, Honduras e Guatemala registram taxas de pobreza crônica muito mais elevadas, em média de 21%. Entre Nicarágua e Guatemala, por exemplo, as taxas de pobreza crônica oscilam entre 37% e 50%, respectivamente.

u      Outra conclusão é a de que há variações acentuadas no interior dos países. Em um mesmo país, algumas regiões apresentam taxas de pobreza crônica até 8 vezes maiores do que as mais baixas. Cita o Brasil como exemplo, apontando para o estado de Santa Catarina, com a taxa de pobreza crônica em torno de 5%. Por outro lado, no Ceará esse índice chega a 40%.

u      A pobreza crônica, apesar de se apresentar mais alta na área rural, ocorre tanto nesta quanto na área urbana. Esta outra conclusão do estudo decorre da constatação de que em países como Chile, Brasil, México, Colômbia e República Dominicana, foram observados mais pobres crônicos nas áreas urbanas do que nas áreas rurais, entre 2004 e 2012.

u      No Peru, outro exemplo, os portadores de tuberculose vivem, em grande parte, nas favelas de Lima. Deles, 43% se mostraram propensos a abandonar o tratamento antes da cura, por se sentirem deprimidos com o diagnóstico. Foi criado então um programa para superar este obstáculo à cura. O programa oferece tratamento gratuito e disponibiliza psicólogos clínicos, com o objetivo de tratar a depressão. Oferece também apoio para identificar oportunidades de atividades capazes de promover a geração de renda para as pessoas afetadas pela doença.

u      Exemplos de bons programas de compensação social não faltam. É o caso do programa denominado “Chile Solidario”, ou o “Red Unidos”, na Colômbia, que empregam trabalhadores sociais para estabelecer um intercâmbio entre os beneficiários e os programas sociais que tratam das necessidades específicas das famílias.

u      O Banco Mundial propõe que os formuladores de políticas públicas na América Latina reavaliem o enfoque dos programas de redução da pobreza, com base no estudo, utilizando-o para melhor compreender a realidade da pobreza crônica e onde ela se localiza.

Instituto Ethisphere

Desde 2007, o Instituto Ethisphere, norte americano, relaciona as “empresas mais éticas do mundo”, aquelas que “vão além do discurso de que fazem negócios com ética e transformam palavras em ação”.
Apenas duas empresas brasileiras já apareceram no ranking, que é agrupado por setores produtivos.

A Natura figurou na primeira lista, de 2007, no setor de produtos de consumo, junto com as empresas Bright Horizons (EUA), Hindustan Lever (EUA), Kao Corporation (Japão) e Johnson & Sons (EUA). Depois desse ano, voltou ao ranking nos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014.

Desde 2014, outra empresa brasileira, o Banco do Brasil, passou a constar do ranking, no setor dos bancos com atuação nacional. Em 2015, repetiu a inclusão na lista, como já noticiou o Monitor Mercantil, junto com o National Australia Bank e com o Australia Teachers Mutual Bank.

Foram destacadas 132 empresas, de 21 países e de mais de 50 setores de atividades. Entre as empresas, 15 foram ranqueadas em todos os nove anos de existência da distinção. A metodologia pontua as empresas em aspectos diversos de cinco requisitos: Ética e programa de compliance; Cidadania corporativa e responsabilidade socioambiental; Cultura para a Ética; Governança e Liderança, inovação e reputação.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Até você ?
                                                             
Um site deixa gigantes modernos,
como  Google e Apple,
de saia justa…

blog do professor paulo márcio
economia&arte

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 4 de março de 2015
Paulo Márcio de Mello*

u      Tomando-se como referência as 500 maiores empresas brasileiras, verifica-se que, entre as funções executivas, 86,3% são exercidas por homens. Mulheres ocupavam 13,7% destas funções, em 2010. Desde 2001, quando os homens ocupavam 94% das funções executivas, há uma evolução progressiva, ainda que lenta, da participação feminina, de 6% em 2001, para 10,6% em 2005, e 11,5% em 2007.

u      Os números constam do estudo "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas" (disponível em http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-eb4Perfil_2010.pdf), realizado pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e Ibope Inteligência, com base em uma amostra extraída da relação das empresas classificadas na publicação "Melhores e Maiores 2009", editada pela revista Exame.

u      No âmbito gerencial, em 2010, ano da mais recente publicação da série, 77,9,% das funções foram ocupadas por homens e 22,1% por mulheres. Novamente, registra-se uma discreta evolução, desde o início da medição deste indicador, quando em 2003, mulheres ocuparam 18% das funções gerenciais. Em 2005, um salto discrepante mostrou 31% das funções gerenciais ocupadas por mulheres. A discrepância é parcialmente corrigida em 2007, quando o estudo consigna 24,6% de ocupação destas funções por mulheres, dado mais consistente com os 22,1% de funções gerenciais exercidas por mulheres em 2010.

u      No exercício das funções de supervisão, observa-se que mulheres ocupam 26,8% delas, em 2010. Em relação ao primeiro ano da série de observação, em 2003, quando a marca da presença feminina nestas funções era de 28%, registra-se uma discreta melhora. Na composição do elenco de funcionários deste conjunto das maiores empresas do país, observa-se uma redução da presença feminina, de 35% em 2003, para 33,1%, em 2010.

u      Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE; PNAD 2012) complementam este cenário de iniquidade. Na composição da população brasileira com 15 anos de idade ou mais, a participação das mulheres é de 52,1%. Nas faixas de escolaridade de 8 a 10 anos, o contingente feminino é 2,2% superior ao de homens, no intervalo de 11 a 14 anos de escolaridade, é 18% superior e, no de 15 anos ou mais de escolaridade, é 36,9% superior ao masculino.

u      Apesar de tudo, o rendimento médio mensal das mulheres corresponde à apenas 74% do valor do rendimento médio total.

Até você, Google ?

Em janeiro deste ano, foi lançado o site InHerSight, com o propósito de desnudar as desigualdades existentes nas empresas, que limitam as possibilidades de progressão funcional de mulheres, e de conciliar maternidade e carreira, entre outros temas.

Inicialmente, o site utiliza-se de um questionário simples e de rápido preenchimento, através de questões sobre facilidades proporcionadas (ou negadas) para a trabalhadora ser mãe, em uma escala de um a cinco. Quem se interessar também poderá fazer comentários sobre a empresa. A criação é de Ursula Mead, mãe e operadora de mercado financeiro. Ela estuda a possibilidade de tornar o site uma ferramenta que possa ser utilizada também em outros países, além dos EUA.

Apesar do pouco tempo de existência, algumas reflexões já podem ser feitas. Exemplo é o caso do Google, uma empresa situada entre as que tratam bem as mulheres. Ela obteve 4,8 (em 5,0) no aspecto condições para ser mãe e 4,7 em apoio para o crescimento familiar. Onde está o ponto mais fraco do Google, porém? Na representação feminina em cargos de alta direção, com nota 2,9. Curiosamente, a Apple também teve neste aspecto a sua menor pontuação (2,7).

Em seu propósito, o site InHerSight não pretende apurar dados estatisticamente exatos, nem se limitar à discussão sobre direitos formalmente conquistados. Se uma mulher sente algum constrangimento em utilizar-se plenamente do período de uma licença maternidade, por exemplo, há algum dente na engrenagem da empresa que não se encaixa adequadamente no sulco. O que o InHerSight pretende é fomentar o debate sobre a igualdade de oportunidades nas corporações.

Paulo Márcio de Mello
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, toda quarta-feira,
no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
São mais de 600 edições apresentando casos de empreendedores e empresas,
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à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável.