quinta-feira, 13 de outubro de 2016


Primeiramente, cabe esclarecer que, apesar do título, esta coluna não tratará de questões da conjuntura política do país, mas de empresas que frequentaram recentemente o noticiário econômico, médico, policial
(menos do que deveriam, em alguns casos)
e outras páginas menos nobres.

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 30 de março de 2016
Paulo Márcio de Mello*

Trapalhões - I

Contabilidade cruel

Lee Iacocca é um desses executivos de grandes corporações apresentados como emblemáticas sabedorias gerenciais. Publicado e republicado como um empreendedor e líder notável. Cercado de lendas, já foi falado do mito que cortava anualmente 10% dos seus executivos de menor desempenho, mesmo que o desempenho não fosse ruim.

Uma fórmula de eugenia executiva, eliminando os mais fracos. Se parecer cruel este pacote anual de demissões, é importante não se esquecer da contabilidade macabra de que ele se utilizava. Seu último lançamento enquanto dirigia a FORD, foi um automóvel classificado como subcompacto.

Chegou a ser popular nos EUA, em uma época em que teve início o questionamento das imensas banheiras sobre pneus, comuns ainda hoje por lá. Leve (900 Kg), não bebia tanto, preço de US$ 2,000. Seu lançamento deu-se em um 11 de setembro, o de 1970.

Criado para enfrentar a concorrência do AMC Gremlin, teve a sua produção sustada nos anos 1980, por apresentar gravíssimos problemas de segurança. Não chegou a ser produzido no Brasil. O dito popular dá como causa para a renúncia de produção no Brasil...o nome do modelo.

Sua venda começou a despencar quando se verificou que, devido ao design e localização do tanque de combustível, impactos por trás à velocidade de 32 km/h, ou superior, causavam a ruptura do tanque, derivando daí uma explosão.

Ocorre que, através de testes de colisão, ficou provado que a empresa sabia dos riscos a que submetia seus usuários. A contabilidade macabra estimava que, para corrigir os erros estruturais, o custo seria de US$11,00 por unidade, totalizando US$137 milhões, considerando toda a linha de produção.

A indenização para cada vida perdida (evitável) custaria US$200.000; a indenização por queimaduras graves custaria US$67.000 e cada veículo a ser recuperado após uma colisão, custaria US$700,00. Conclui-se que se até 2100 veículos incendiassem, 180 pessoas sofressem queimaduras graves e outras 180 morressem, o custo de indenizações não ultrapassaria US$49,5 milhões. Ou seja, o critério de Iacocca e da FORD foi exclusivamente financeiro. Corrigir (US$137 milhões) ou indenizar os óbitos e feridos graves (US$49.5 milhões).

Talquinho

O que pode parecer mais inofensivo do que talco infantil? Pois não é que o talco infantil da Johnson&Johnson matou Jacqueline Fox (62) de câncer no ovário? A empresa foi obrigada a pagar US$72 milhões de indenização. E outros 1.200 processos semelhantes foram abertos contra a Johnson&Johnson nos EUA.

9-colunistaJacqueline Fox foi vítima do uso contumaz da linha de talcos da empresa, inclusive os infantis. A decisão foi da corte de St. Louis, em consequência da sonegação da informação sobre as consequências do uso continuado da mercadoria

Jacqueline Fox pediu para que metade da indenização fosse doada para um fundo que atende vítimas de crimes no estado do Missouri. Um dos membros do júri, Jerome Kendrick, acusou a empresa de tentar dissimular os efeitos do uso da mercadoria e influenciar associações que fiscalizam cosméticos.

Jere Beasley, advogado, acusou a empresa de estar ciente dos riscos do uso da mercadoria, desde 1980. Um dos jurados, Jerome Kendrick, afirmou que a empresa "tentou cobrir [os danos do produto] e influenciar associações que regulam cosméticos".

O advogado da família, Jere Beasley, disse que a companhia "sabia desde 1980 dos riscos", mas manteve essas informações afastadas do público e de agências regulatórias, segundo o jornal local de St Louis

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Colunista
9-colunista

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001, continuamente, toda quarta-feira, no centenário jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos à responsabilidade social, à sustentabilidade, à ética corporativa e ao desenvolvimento sustentável, casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas ou agenda sobre o assunto.
A coluna também pode ser lida no blog arteeconomia, com acesso http://pauloarteeconomia.blogspot.com
Enquanto, nas últimas duas décadas, decresceu o serviço estável no continente; em contrapartida, aumentou a absorção da mão-de-obra temporária.
Em 20 anos, não foi só o mercado que mudou. De acordo com a pesquisa realizada pelo chileno Fernando Vigorena, mudou o perfil do trabalhador latino-americano. Vigorena, pesquisador da Universidad Autonôma do Sul, coletou informações sobre o mercado de trabalho na América Latina, desde 1982.

Coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-Feira, 23.02.2016
Paulo Márcio de Mello*

Os Sem Teto (II)

Entre as conclusões a que chegou estão a de que o emprego fixo, com carteira assinada, está sendo substituído pelo trabalho de curto prazo, com a terceirização de todas as funções possíveis. Segundo ele, estas perspectivas são irreversíveis, e não seriam contornadas nem com crescimento econômico mundial. A sociedade do conhecimento, de acordo com Vigorena, vai gerar menos empregos estáveis do que a sociedade industrial.

Segundo Fernando Vigorena, desde 1982, cerca de dois milhões de pessoas estão empregadas em regime temporário no Continente sul americano. O fenômeno, não é circunscrito ao setor privado. O nível de contratações temporárias, no setor público aumentou mais de 500%, principalmente devido à terceirização.

Fernando Vigorena destaca que o aumento do “trabalho flexível” se dá em velocidade ainda maior do que a redução do “emprego estável”. A multiplicação de serviços – na maioria terceirizados – de ensino, internet, comércio, finanças e rh, por exemplo, está absorvendo as pessoas desvinculadas do mercado de trabalho tradicional. A vantagem para o empresário está na transformação da gestão de custos, transformando os custos fixos em custos variáveis e reduzindo a participação relativa dos custos indiretos (uma bomba que explode com o tempo) sobre os custos diretos que permite uma visibilidade maior nos indicadores financeiros das empresas. A tendência, de acordo com o pesquisador, foi gerada, principalmente, pelos custos sociais do trabalho, frente a um mercado que exige produtos cada vez melhores e mais baratos. As economias de escala e de escopo e os ganhos de produtividade do trabalhador valorizado parecem não responder para reduzir custos, nos discursos dos empresários.

As empresas, assegura Fernando Vigorena, mudaram. Perto de 50% delas reduziram pessoal à metade, contrataram mão-de-obra de salários mais baixos, trocaram empregados que executavam trabalhos rotineiros pelas tecnologias informatizadas, como o software de gestão, e subcontrataram funções nos setores de serviços, produção e vendas.

"As fábricas estão agonizando, porque as indústrias progressivamente deixaram de produzir, tornando-se muitas, empresas montadoras, com produção terceirizada e pulverizada. A Benetton é um exemplo nítido. É a maior empresa têxtil do mundo, mas não fabrica nem vende nada. Terceiriza ambos os serviços.

As áreas mais promissoras dentro do novo cenário trabalhista são tecnologia; biotecnologia e saúde; ensino (principalmente ensino à distância); consultoria administrativa; serviços de conveniência; entretenimento, hotelaria; turismo e finanças.

Os setores menos favorecidos atualmente são a área industrial, construção civil e intermediação na venda de imóveis e de ações.

9-colunistaFernado Vigorena destaca três características do trabalhador que as empresas contam hoje. Ser praticamente autônomo, isto é, ao mesmo tempo, empregável e descartável; ter mentalidade de empresário independente; praticar alto grau de flexibilidade e preencher os requisitos para ser contratado como pessoa jurídica.

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
continuamente às quartas-feiras, no jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos
à responsabilidade social, à sustentabilidade, ao desenvolvimento sustentável e à ética nos negócios, através de casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas, editais ou agenda na temática.
A coluna EMPRESA-CIDADÃ também pode ser lida pelo Blog arteeconomia. Acesso através de http://pauloarteeconomia.blogspot.com


9-colunista
Deflagrado nos EUA, o movimento Occupy Wall Street (OWS) incorporou o DNA de outros, como o europeu Indignados (inicialmente M15M), na Espanha, ou como das rebeliões de massa que nutriram a Primavera Árabe, ou mesmo dos norte-americanos Adbusters, US Day of Rage, Anonymous, com as suas máscaras características, e o New Yorkers Against Budget Cuts (Novaiorquinos contra os cortes no orçamento).

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira 1º de março de 2016
Paulo Márcio de Mello*

OCCUPY E STIGLITZ

Incompreendido nas primeiras manifestações, por se apresentar como um movimento sem uma bandeira específica de lutas, encontrou as principais razões do seu êxito na pluralidade, na ausência de lideranças formais e de estrutura, e sobretudo, na característica de um escopo flexível de reivindicações.
Contemporâneo frente a um mundo volátil na sucessão de questões a enfrentar, em que as organizações privilegiam o domínio do conhecimento, para daí gerar seus produtos, tornou o domínio da “tecnologia de ocupar” a sua maior qualidade. Decantou daí o lema expressivo “nós somos os 99% que lutam contra a ganância de 1%”.
Na ocasião, é oportuno ler uma seleção do que Joseph E. Stiglitz,professor na Universidade de Colúmbia agraciado com o Prêmio Nobel de Economia de 2001, escreveu sobre o OWS.
“O slogan (‘somos 99%’) ecoa no título de um artigo que recentemente publiquei: ‘Do 1%, para o 1% e pelo 1%’. Ele descreve o enorme aumento de desigualdade nos Estados Unidos, onde 1% da população controla mais de 40% da riqueza e recebe mais de 20% da renda. E os que pertencem a este grupo rarefeito são frequentemente remunerados, de forma extravagante, não por terem contribuído para a sociedade, mas porque são, para dizer de forma franca, bem-sucedidos (e às vezes corruptos) caçadores de rendas alheias.”
 “Em todo o mundo, influência política e práticas de oligopólio (frequentemente garantidas por meio da política) foram centrais para o aumento da desigualdade econômica. E os sistemas tributários nos quais um bilionário como Warren Buffett paga percentualmente menos impostos que sua secretária – ou em que os especuladores que ajudaram a derrubar a economia global são menos tributários do que os trabalhadores – reforçaram a tendência”.
“Este é um sistema no qual os banqueiros são resgatados, enquanto suas vítimas são obrigadas a lutar pela sobrevivência. Pior: os banqueiros estão de volta a seus gabinetes, recebendo bônus anuais superiores ao que a maioria dos trabalhadores espera ganhar durante toda a vida, enquanto jovens que estudaram muito e seguiram as regras do jogo não veem perspectivas de um emprego decente”.
 “O aumento da desigualdade é produto de uma espiral viciosa. Os rentistas usam seus recursos para criar leis que protejam e ampliem sua riqueza – e sua influência. A Suprema Corte dos Estados Unidos, deu às corporações, numa decisão que se tornou conhecida como Citizens United, rédea solta para usar dinheiro e influenciar os rumos da política. Mas enquanto os ricos podem usar seu dinheiro para ampliar o alcance de seus pontos de vista, a polícia não permitiu que eu usasse um megafone para me dirigir aos manifestantes do Occupy Wall Street”.
“Eles estão certos ao dizer que há algo errado com nosso ‘sistema’. Em todo o mundo, temos recursos desaproveitados – gente que quer trabalhar, máquinas paradas, edifícios vazios – e imensas necessidades não realizadas: luta contra a pobreza, promoção do desenvolvimento e reorganização da economia para enfrentar o aquecimento global, apenas para citar algumas. Nos Estados Unidos, depois de mais de 7 milhões de despejos, nos últimos anos, temos casas vazias e gente sem casa”.
“Em 1999, os protestos em Seattle, durante o que seria o início de uma nova rodada de negociações comerciais, chamaram atenção para as falhas da globalização e das instituições e acordos que a governam. Quando a imprensa examinou as alegações dos manifestantes, descobriu que havia verdade nelas. As negociações comerciais que se seguiram foram diferentes ao menos, em princípio. Elas deveriam levar a uma Rodada de Desenvolvimento, para enfrentar algumas das deficiências sublinhadas pelos protestos.
“Num certo sentido, os manifestantes de agora pedem pouco: uma chance para usar seus talentos e habilidades. O direito a trabalho com salário decente. Uma economia e sociedade mais justas. Seu desejo é de evolução, não de revolução. Mas num outro plano, eles estão lutando por algo grande: uma democracia em que as pessoas, e não os dólares, falem mais alto; e uma economia de mercado que entregue o que promete”.
“As reivindicações estão ligadas. Como vimos, mercados sem regulação conduzem a crises econômicos e políticas. Os mercados funcionam de forma apropriada apenas quando enquadrados por regulações apropriadas, definidas por governos. E estas regulações só podem ser estabelecidas numa democracia que reflita o interesse comum, não o interesse do 1%. O melhor governo que o dinheiro possa comprar já não é suficiente”.

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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continuamente às quartas-feiras, no jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos
à responsabilidade social, à sustentabilidade, ao desenvolvimento sustentável e à ética nos negócios, através de casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas, editais ou agenda na temática.
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Chefes de Estado e de Governo e altos representantes, reunidos na sede das Nações Unidas, em Nova York, de 25 a 27 de setembro de 2015, decidiram sobre os novos Objetivos Globais de Desenvolvimento Sustentável.

coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 12 de janeiro de 2016
Paulo Márcio de Mello*

Declaração da Agenda 2030-I

Comprometeram-se a trabalhar incansavelmente para a plena implementação desta Agenda em 2030, reconhecendo que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.

Comprometeram-se também a dar continuidade às conquistas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) e buscar atingir suas metas inacabadas.

Resolveram, entre agora e 2030, acabar com a pobreza e a fome em todos os lugares; combater as desigualdades dentro e entre os países; construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os direitos humanos e promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas; e assegurar a proteção duradoura do planeta e seus recursos naturais. Resolveram também criar condições para um crescimento sustentável, inclusivo e economicamente sustentado, prosperidade compartilhada e trabalho decente para todos, tendo em conta os diferentes níveis de desenvolvimento e capacidades nacionais.

Preveem um mundo livre da pobreza, fome, doença e penúria, onde toda a vida pode prosperar e também um mundo livre do medo e da violência. Um mundo com alfabetização universal. Um mundo com o acesso equitativo e universal à educação de qualidade em todos os níveis, aos cuidados de saúde e proteção social, onde o bem-estar físico, mental e social estarão assegurados. Um mundo em que reafirmamos os nossos compromissos relativos ao direito humano à água potável e ao saneamento e onde há uma melhor higiene; e onde o alimento é suficiente, seguro, acessível e nutritivo.

Um mundo onde habitats humanos são seguros, resilientes e sustentáveis, e onde existe acesso universal à energia acessível, confiável e sustentável.

Ademais, preveem um mundo de respeito universal dos direitos humanos e da dignidade humana, do Estado de Direito, da justiça, da igualdade e da não discriminação; do respeito pela raça, etnia e diversidade cultural; e da igualdade de oportunidades que permita a plena realização do potencial humano e contribua para a prosperidade compartilhada. Um mundo que investe em suas crianças e em que cada criança cresce livre da violência e da exploração. Um mundo em que cada mulher e menina desfruta da plena igualdade de gênero e no qual todos os entraves jurídicos, sociais e econômicos para seu empoderamento foram removidos. Um mundo justo, equitativo, tolerante, aberto e socialmente inclusivo em que sejam atendidas as necessidades das pessoas mais vulneráveis.

Mundo guiado pelos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo o pleno respeito pelo direito internacional. Fundamenta-se na Declaração Universal dos Direitos Humanos, tratados internacionais de direitos humanos, a Declaração do Milênio e os resultados da Cúpula Mundial de 2005. Ela é informada por outros instrumentos, tais como a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento.

Reafirmaram os resultados de todas as grandes conferências e cúpulas das Nações Unidas que estabeleceram uma base sólida para o desenvolvimento sustentável e ajudaram a moldar a nova Agenda. Estas incluem a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável; a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social; o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, a Plataforma de Ação de Pequim; e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Reafirmamos também a continuidade dada a estas conferências, incluindo os resultados da Quarta Conferência das Nações Unidas sobre os Países Menos Desenvolvidos, a Terceira Conferência Internacional sobre Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento; a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Países em Desenvolvimento Sem Litoral; e da Terceira Conferência Mundial da ONU sobre a redução do Risco de Desastres.

Reafirmaram todos os princípios da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, incluindo, entre outros, o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas.

Bilhões de cidadãos continuam a viver na pobreza, e a eles é negada uma vida digna. Há crescentes desigualdades dentro dos e entre os países. Há enormes disparidades de oportunidades, riqueza e poder. A desigualdade de gênero continua a ser um desafio fundamental. O desemprego, particularmente entre os jovens, é uma grande preocupação. Ameaças globais de saúde, desastres naturais mais frequentes e intensos, conflitos em ascensão, o extremismo violento, o terrorismo e as crises humanitárias relacionadas e o deslocamento forçado de pessoas ameaçam reverter grande parte do progresso do desenvolvimento feito nas últimas décadas.

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
continuamente, às quartas-feiras, no jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
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O relatório da  Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)  estabeleceu que o desenvolvimento de objetivos e metas, da forma como foi aplicada em relação aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é uma estratégia eficiente na busca do desenvolvimento sustentável, por meio de ações focadas e coerentes,
com prazo e comunicação transparentes.

coluna Empresa-Cidadã
Quarta-feira, 5 de janeiro de 2016
Paulo Márcio de Mello*

Dos ODMs aos ODSs-II

Mais de três anos de discussão e líderes de governo e de estado aprovaram, por consenso, o documento “Transformando nosso mundo: a agenda 2030 um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade”. Ela busca fortalecer a paz universal com mais liberdade, e reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema (expressão excluída do relatório final), é o maior desafio global ao desenvolvimento sustentável. Foram cunhadas peças de comunicação, como os 5 ODs da Agenda 2030: Planeta, Pessoas, Paz, Parcerias e Prosperidade.
A Agenda 2030 consiste em uma Declaração de propósitos, com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e as 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e de parcerias globais, e um arcabouço para acompanhamento e revisão.
Resumidamente, são os seguintes os enunciados dos 17 ODSs:
1 Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares
2 Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição
3 Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos
4 Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade
5 Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
6 Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água
7 Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável
8 Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável
9 Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva
10 Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles
11 Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes
12 Assegurar padrões de consumo e produção sustentável
13 Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima
14 Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos
15 Proteger, recuperar e promover o uso sustentável das florestas
16 Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável
17 Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global
O conjunto de objetivos e metas demonstram a escala e a ambição desta nova Agenda universal. Os ODSs aprovados foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), de maneira a completar o trabalho deles e responder a novos desafios. São integrados e indivisíveis, e mesclam, de forma equilibrada três das dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
OS ODSs foram aprovados na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (de 25 a 27 de setembro de 2015). Quanto aos esforços conjuntos para o alcance dos ODM até o fim de 2015, não se encerrarão nessa data. As ações do Pnud a partir de então estarão alinhadas com os ODS, tendo em mente a necessidade da finalização do trabalho no âmbito dos ODM, visando “não deixar ninguém para trás” no processo de desenvolvimento sustentável.
Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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Enquanto, nas últimas duas décadas, decresceu o serviço estável no  continente; em contrapartida, aumentou a absorção da mão-de-obra temporária.
Em 20 anos, não foi só o mercado que mudou. De acordo com a pesquisa realizada pelo chileno Fernando Vigorena, mudou o perfil do trabalhador latino-americano. Vigorena, pesquisador da Universidad Autonôma do Sul, coletou informações sobre o mercado de trabalho na América Latina, desde 1982.

Coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-Feira, 23.02.2016
Paulo Márcio de Mello*

Os Sem Teto (II)

Entre as conclusões a que chegou estão a de que o emprego fixo, com carteira assinada, está sendo substituído pelo trabalho de curto prazo, com a terceirização de todas as funções possíveis. Segundo ele, estas perspectivas são irreversíveis, e não seriam contornadas nem com crescimento econômico mundial. A sociedade do conhecimento, de acordo com Vigorena, vai gerar menos empregos estáveis do que a sociedade industrial.

Segundo Fernando Vigorena, desde 1982, cerca de dois milhões de pessoas estão empregadas em regime temporário no Continente sul americano. O fenômeno, não é circunscrito ao setor privado. O nível de contratações temporárias, no setor público aumentou mais de 500%, principalmente devido à terceirização.

Fernando Vigorena destaca que o aumento do “trabalho flexível” se dá em velocidade ainda maior do que a redução do “emprego estável”. A multiplicação de serviços – na maioria terceirizados – de ensino, internet, comércio, finanças e rh, por exemplo, está absorvendo as pessoas desvinculadas do mercado de trabalho tradicional. A vantagem para o empresário está na transformação da gestão de custos, transformando os custos fixos em custos variáveis e reduzindo a participação relativa dos custos indiretos (uma bomba que explode com o tempo) sobre os custos diretos que permite uma visibilidade maior nos indicadores financeiros das empresas. A tendência, de acordo com o pesquisador, foi gerada, principalmente, pelos custos sociais do trabalho, frente a um mercado que exige produtos cada vez melhores e mais baratos. As economias de escala e de escopo e os ganhos de produtividade do trabalhador valorizado parecem não responder para reduzir custos, nos discursos dos empresários.

As empresas, assegura Fernando Vigorena, mudaram. Perto de 50% delas reduziram pessoal à metade, contrataram mão-de-obra de salários mais baixos, trocaram empregados que executavam trabalhos rotineiros pelas tecnologias informatizadas, como o software de gestão, e subcontrataram funções nos setores de serviços, produção e vendas.

"As fábricas estão agonizando, porque as indústrias progressivamente deixaram de produzir, tornando-se muitas, empresas montadoras, com produção terceirizada e pulverizada. A Benetton é um exemplo nítido. É a maior empresa têxtil do mundo, mas não fabrica nem vende nada. Terceiriza ambos os serviços.

As áreas mais promissoras dentro do novo cenário trabalhista são tecnologia; biotecnologia e saúde; ensino (principalmente ensino à distância); consultoria administrativa; serviços de conveniência; entretenimento, hotelaria; turismo e finanças.

Os setores menos favorecidos atualmente são a área industrial, construção civil e intermediação na venda de imóveis e de ações.

Fernado Vigorena destaca três características do trabalhador que as empresas contam hoje. Ser praticamente autônomo, isto é, ao mesmo tempo, empregável e descartável; ter mentalidade de empresário independente; praticar alto grau de flexibilidade e preencher os requisitos para ser contratado como pessoa jurídica.

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

A coluna EMPRESA-CIDADÃ é publicada, desde 2001,
continuamente às quartas-feiras, no jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos
à responsabilidade social, à sustentabilidade, ao desenvolvimento sustentável e à ética nos negócios, através de casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas, editais ou agenda na temática.
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A crise econômica disparada a partir de Wall Street produz resultados  perversos de diferentes espécies. Na União Européia, por exemplo, no final de 2015, as taxas de desemprego chegaram à média de 9%.  Em março passado, correspondia a mais de 20 milhões de pessoas atingidas.
coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2016
Paulo Márcio de Mello*

Os Sem Teto-I

Acima da taxa média de desemprego, estão posicionadas as economias da Finlândia (9,5%), França (11,2), Letônia (10,2%), Eslováquia (10,6%), Itália (11,4%), Portugal (11,8%), Croácia (16,5%), Chipre (15,7%), Espanha (20,8), Grécia (24,5%), 8,5%),

Abaixo da média, situam-se as da Eslovênia (8,8), Irlanda, que já foi chamado de "tigre" europeu, (8,8%), Bulgária (8,8%), Lituânia (8,5%), Bélgica (7,9%), Suécia (7,1%), Polônia (7,1%), Romênia (6,7%), Holanda (6,6%), Estônia (6,5%), Hungria (6,3%), Luxemburgo (6,1%), Dinamarca (6,0%), Austria (5,8%), Reino Unido (5,1%), Malta (5,1%), Alemanha (4,5%) e República Checa (4,5%). Em 2012, a taxa de desemprego em Portugal chegou aos 13,6%. Em 2011, a taxa era de 6,7%. Os 11,8% registados no final de 2015, colocam o país entre aqueles em que as taxas mais recuaram. A taxa média de desemprego nos países da UE corresponde à cerca de 20 milhões de europeus atingidos por este flagelo.

Verifica-se também outra ordem de consequências, no encaminhamento de um padrão econômico mais caracterizado pela ética nas relações entre os agentes econômicos. Em Portugal, por exemplo, que no início de 2013, viu o desemprego chegar a 17,5 % a taxa entre os jovens (até 25 anos) alcança os 31%. A Assembléia da República acolheu então três projetos de lei significativos.

Vale a pena conhecer alguns destaques da legislação, que estipula as condições da mudança no comportamento das empresas, como é o caso do artigo segundo, que estabelece o dever de comunicação pública para as empresas cotadas em Bolsa, através da comunicação em cada relatório e balanço anual, sobre o total dos vencimentos diretos e indiretos pagos a cada um dos seus administradores, incluindo todas as remunerações, como prêmios, comissões, subvenções, pagamento em ações e outros rendimentos.

O acesso das empresas a apoios e subsídios com recursos públicos, capitulado no artigo terceiro do projeto de lei, estabelece, como condições, a divulgação anual pelas empresas do valor dos vencimentos diretos e indiretos pagos aos seus administradores, incluindo outras remunerações, como prêmios, comissões, subvenções, pagamentos em ações e outros rendimentos, bem como a limitação do total desses rendimentos, nos anos em que têm acesso aos subsídios e apoios definidos pelos programas públicos de ajuda a empresas como resposta à recessão, a um teto máximo a ser definido pelo governo. Além disso, condiciona o apoio à não distribuição de dividendos, durante o período em que a economia estiver em recessão técnica.

A Lei está fundamentada nas circunstâncias inerentes à crise, destacando-se que foram aprovados diversos planos de estímulo à economia, que incluem financiamentos a empresas. Algumas dessas intervenções, no caso de Portugal, estão localizadas nos setores automobilístico, têxtil e de vestuário, pressupondo a execução de uma despesa pública muito elevada.

Torna-se assim um imperativo ético estabelecer regras que protejam o gasto público e que garantam a sua eficácia, mais do que a sua eficiência. As medidas propugnadas visam a imposição de limites à apropriação de recursos públicos para fins privados, por acionistas e administradores, impedindo o pagamento de dividendos e limitando as remunerações diretas e indiretas.

Existe, portanto, um outro tipo de "sem teto", que não são os do MST e que, uma vez vigiados, proporcionam bons resultados para a sociedade.

Paulo Márcio de Mello*
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

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continuamente às quartas-feiras, no jornal Monitor Mercantil (www.monitormercantil.com.br).
Através dela, são apresentados conceitos relativos
à responsabilidade social, à sustentabilidade, ao desenvolvimento sustentável e à ética nos negócios, através de casos de empreendedores e empresas, pesquisas, resenhas, editais ou agenda na temática.
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pesquisa apresentada em uma edição longínqua do Fórum Econômico Mundial (WEF), mostrava que, para os executivos norte-americanos de grandes corporações, o risco mais preocupante é o da imagem da corporação.


coluna EMPRESA-CIDADÃ
Quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Paulo Márcio de Mello*

É a poluição que mata?


 Uma das mais importantes consultorias empresariais na atualidade é a EisnerAmper, que através da pesquisa Concerns About Risks Confronting Boards reiterou o relatório apresentado no WEF. 66% das preocupações dos entrevistados estão na preservação da imagem, ou reputação, das empresas. Seguem Regulação e compliance (59%), Planejamanento e sucessão do CEO (53%); Riscos de TI (54%); Gerenciamento de Crises (47%); Privacidade e segurança de informação (36%) e riscos fiscais (9%), entre outros.

Como hipotéticas causas das preocupações, constam Confiabilidade e Qualidade do Produto/Satisfação dos Clientes; Fraudes/Problemas Éticos; Percepção do Público; e Meio Ambiente, entre outros.

Como antídotos aos fatores de risco, as empresas optam principalmente por soluções domésticas, como troca de informações entre diretorias e comitês relacionados aos assuntos mais ameaçadores, ou através do aconselhamento de consultores.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recém divulgou um relatório referindo-se à baixa qualidade do ar que a maior parte dos habitantes do planeta respira, chegando a até 92% da população mundial.

A pesquisa incluiu 3 mil situações em áreas urbanas e rurais de103 países. Os dados mais recentes (2012) revelam que 6,5 milhões de pessoas adoeceram e 3 milhões morreram, em consequência da poluição. Entre as principais fontes de poluição estão modelos ineficazes de transporte, queima de combustível; queima de resíduos; centrais elétricas e atividades industriais.
Os principais poluentes são as micropartículas (diâmetro inferior a 2,5 micrometros) de sulfato, nitrato e fuligem.
As regiões mencionadas como de pior qualidade do ar são o Sudeste da Ásia, o Mediterrâneo Oriental e o Pacífico Ocidental.
Por outro lado, a qualidade do ar é adequada para 75% da população dos países com alta renda das Américas e para 20% da população que vive em nações de rendas média e baixa da mesma região. Uma situação que também ocorre em menos de 20% dos países europeus e nos países ricos do Pacífico Ocidental.
Os países com mais vítimas relacionadas à qualidade do ar são Turquemenistão (com 108 mortes por 100 mil habitantes); Afeganistão, (81 mortes por 100 mil habitantes); Egito (77 por 100 mil); China (70 por 100 mil); e Índia com (68 por 100 mil).
Cerca de 94% das mortes se devem sobretudo a doenças cardiovasculares, acidentes cerebrovasculares, pneumopatia obstrutiva crônica e câncer de pulmão. A contaminação do ar também aumenta o risco de infecções respiratórias agudas.

Em 2008, depois da queda do muro que escondia o bom-mocismo em empresas privadas, desde o caso do Pinto da Ford Motors; uma urna incendiária, passando pelas fraudes contábeis da Enron/Andersen, pela “mágica” da redução de emissões da Das auto (Volksgate); pelos perigos do talquinho cancerígeno da Johnson&Jonhson; pela destruição empreendida pela SAMARCO/VALE/BHP, entre muitos outros, as grandes corporações têm muitas chances de criar a imagem de serial killers.


Como uma boa imagem vale mais do que mil balanços, a procura por tutela antecipada das corporações tem no relatório da OMS um indicador de eficientes soluções. É só adicionar uma gota de criatividade.